Radar Tantã – Na Dúvida, Atire!

Na semana passada fui ao show de despedida do grande César Maurício, que parte para mais uma temporada de estudos na Europa.
O show não poderia deixar de ser uma grande celebração às suas duas bandas: Virna Lisi e Radar Tantã.
Por mais que o Virna Lisi seja o mais conhecido, por motivos óbvios (participou de toda a cena rock independente brasileira da década de 90, principalmente na primeira metade, quando este independente estava ainda ensaiando seus passos para o mainstream), tenho um carinho especial pelo Radar Tantã, por ter feito parte desta história, militando nos bastidores e indo em muitos shows.
E tenho uma predileção especial pelo primeiro disco deles, o “Na Dúvida, Atire!”. 11 canções absurdamente boas, que trazem alguns dos melhores momentos da parceria César Maurício/Ronaldo Gino.
E aí, no dia seguinte, deu vontade de ouvir. Para os que pensam que toda a música do mundo está na internet, no Youtube, no Spotify ou em algum lugar, a decepção: este disco não estava em lugar algum deste mundão digital.
Portanto, aí vai minha contribuição. Como não encontrei o disco em nenhum latifúndio virtual, resolvi ripar o meu e prestar um grande serviço a todos que apreciam belas canções e para alguns órfãos de uma época muito, mas muito boa.

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E VAMO MUDANDO DE NOVO….

Se tem algo que não me canso é de mudar este blog. E todas as vezes que eu mudo seu visual, anuncio um novo recomeço. O atual é mais minimalista, sem tanta papagaiada, com um header simples, p&b (Galo!) e texto embaixo. Direto ao assunto. Vamos ver se decola desta vez.

E todas as vezes que eu recomeço, posto uma playlist. A de hoje é de uma dupla que tem tudo a ver, apesar de muita gente nem imaginar.

Uma cantora (e que cantora!) e uma banda (e que banda!) que se reuniu para ser banda base da cantora em questão. Ouçam e depois conversamos!

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one train later

Na última semana devorei a autobiografia de Andy Summers, “One Train Later”, para fazer o release do lançamento do livro no Brasil, via Ultra Music. O livro cobre o período que vai de sua infância aos últimos shows com o The Police. Sua visão bem particular do mundo pop, incluindo aí os clichês sexo, drogas e rock n’ roll, tornam a leitura bem agradável. De quebra, os fãs do Police tem toda a cronologia da história da banda e saberão os porquês de eles terem saído de cena no auge da carreira, na década de 80.

O livro está saindo do forno. Por enquanto, o release que fiz do lançamento em BH, com a presença de Summers:

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GUITARRISTA DO THE POLICE, ANDY SUMMERS SE APRESENTA EM BH PARA LANÇAR AUTOBIOGRAFIA

Músico se apresenta ao lado de Rodrigo Santos em show no Teatro Bradesco

 

Para um guitarrista, o que é atingir a perfeição? Muitos dirão que é um solo perfeito, sem erros e emocionante. Outros dirão que é construir uma sequência de acordes que nunca havia sido feita. Para Andy Summers, o virtuoso guitarrista do The Police, a perfeição seria criar uma atmosfera melódica que fosse eternizada e se tornasse clássica. E não é exagero dizer que ele atingiu esta perfeição em vários momentos de sua carreira, principalmente na canção “Every Breath You Take”, gravada por ele em apenas um take e aplaudida de pé por todos que se encontravam no estúdio naquele momento.

 

Esta e outras muitas histórias estão em “One Train Later”, autobiografia de Andy Summers, que a Ultra Music lança no Brasil. E de que outra maneira o lançamento seria consumado senão com um show do próprio Andy Summers no Brasil? Desta vez, ele se apresenta muito bem acompanhado de Rodrigo Santos (ex-baixista do Barão Vermelho) e de uma banda de notáveis do rock brasileiro, que inclui o também “barão” Fernando Magalhães, na guitarra; e Kadu Menezes, na bateria. O show em Belo Horizonte acontece no dia 12 de agosto, a partir das 21 horas, no Teatro Bradesco. No repertório, claro, os clássicos do The Police e do Barão Vermelho.

 

O LIVRO

 

Em “One Train Later”, Andy Summers é mais do que simplesmente o personagem de uma vida regada a sexo, drogas e rock n’ roll – o clichê-mor da vida de um músico, mas que se aplica perfeitamente à sua trajetória. Summers se coloca como o narrador da própria história, revendo sua vida desde a infância no interior da Inglaterra até o último show com o The Police. No meio estão seus primeiros passos como guitarrista, a mudança para Londres, seu envolvimento com alguns dos personagens principais da história do rock (como Eric Clapton e Jimi Hendrix), e suas passagens por bandas como Zoot Money’s Big Roll Band, Soft Machine e The Animals, até o encontro com Stewart Copeland, na saída do tal “trem” do título, que mudaria sua vida para sempre.

 

Em meio às muitas páginas que relatam estes encontros minuciosamente, também estão as impressões de Summers sobre as drogas, os lugares que conheceu, seus relacionamentos amorosos, os filhos e, claro, a música, sempre descrita por ele com uma paixão de dar inveja. A força-motriz da vida de Summers é, no final das contas, o personagem principal de “One Train Later” e inspiração para novos guitarristas que surgem a todo momento no mundo.

 

Mas é claro que os fãs querem mesmo é saber de sua banda principal, o The Police. Summers nos conta em detalhes como tudo aconteceu, desde os primeiros encontros com Sting e Stewart Copeland até os últimos shows da banda, que saiu de cena em 1984 no auge da popularidade, com o álbum “Synchronicity” tendo atingido o primeiro lugar das paradas em todo o mundo. Os motivos que levaram à dissolução de uma das mais populares bandas de rock da história estão em “One Train Later” e deixam sua leitura ainda mais instigante.

 

“One Train Later”, a autobiografia de Andy Summers, é um lançamento da Ultra Music e teve o prefácio escrito por ninguém menos que o guitarrista do U2, The Edge.

 

SERVIÇO

 

LANÇAMENTO DO LIVRO “ONE TRAIN LATER”, AUTOBIOGRAFIA DE ANDY SUMMERS

com show de Andy Summers e Rodrigo Santos

DATA: 12 de agosto de 2015

HORÁRIO: 21 horas

LOCAL: Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244 – Lourdes – Belo Horizonte – MG)

INGRESSOS: À venda no local ou pelo site ingresso.com

INFORMAÇÕES: 31.3516-1360

 

 

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Lô e Samuel

Fiz o release do show que Lô Borges e Samuel Rosa vão fazer neste fim de semana para gravação do seu tão esperado DVD em conjunto. Cá entre nós, ficou legal:

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DOIS LADOS DERAM AS MÃOS*

Samuel Rosa e Lô Borges registram sua parceria em um DVD gravado ao vivo em Belo Horizonte

Um deles é um dos mais legítimos representantes da música feita em Minas Gerais, com visão além das montanhas. O outro também. Um deles criou canções clássicas. O outro também. Um deles é fonte de referência para gerações de músicos, que se inspiram em suas melodias para compor e levar adiante seu legado. O outro também. Um deles é fã dos Beatles. O outro também. Um deles é Lô Borges. O outro é Samuel Rosa. E neste caso, a ordem dos fatores não interessa, apenas se complementa.

Existem mais pontos de similaridade entre os trabalhos de Lô Borges e Samuel Rosa do que sonha nossa vã filosofia. Mais do que dois músicos que fazem parte desta tal música de Minas que ultrapassou as montanhas, Lô e Samuel são a prova definitiva de que, na música, a diferença entre gerações não é um problema, mas uma solução. Numa era onde gêneros se misturam e as fronteiras da canção propriamente dita estão cada vez mais abertas, a universalidade dos clássicos criados pela dupla salta aos olhos e ouvidos de uma forma homogênea e faz com que imaginemos os dois como parte de uma mesma linhagem.

Depois de muito tempo se admirando, os dois decidiram, em 1999, juntar forças para uma série de shows em Belo Horizonte. E lá se vão 16 anos desde este primeiro encontro em cima de um palco, reverenciado por quem lá esteve e lamentado por quem não teve a oportunidade de vivenciar a experiência. De lá pra cá, os dois vem se encontrando musicalmente por várias esquinas, em disco, show ou simplesmente para um bom papo em algum bar de Santa Tereza, bairro da capital mineira famoso por sua boemia e por ter abrigado os embriões do Clube da Esquina e do Skank. E em alguns destes encontros, a ideia de finalmente registrar a parceria sempre surgia, mas era deixada de lado devido às agendas atribuladas dos dois. Até agora.

O DVD “Samuel Rosa e Lô Borges”, que será gravado em dois shows nos dias 7 e 8 de agosto, é o registro desta parceria duradoura, histórica e encerra um ciclo de conexões da música feita pelos dois para então começar outro ainda mais frutífero. E o local escolhido não poderia ser mais histórico. Belorizontinos da gema, Samuel e Lô sempre frequentaram os arredores e o interior do mitológico Cine Brasil, em plena Praça Sete, em busca de alguns momentos em companhia da sétima arte. Agora, em 2015, completamente remodelado, o Cine Theatro Brasil se tornou um dos principais pontos de cultura da capital mineira e não poderia ser mais apropriado para abrigar este momento. Ali, a pouco mais de dois quarteirões do Edifício Levy, onde o Clube da Esquina deu seus primeiros passos, mais uma destas esquinas será desvendada.

O SHOW

O DVD “Samuel Rosa e Lô Borges” terá como base o show que os dois já vem fazendo e atualizando ao longo dos últimos 16 anos, com repertório baseado nos clássicos dos dois artistas, construídos em parceria com alguns dos maiores arquitetos das palavras. Desde mineiros sintonizado com as tais “coisas de Minas”, como Márcio Borges, Chico Amaral e o inesquecível Fernando Brant, até outros com cidadania musical entre as montanhas, como Ronaldo Bastos, Nando Reis e Fausto Fawcett. Com estes nomes envolvidos, já dá pra imaginar qual será o repertório. De clássicos como “Paisagem na Janela”, “O Trem Azul”, “Para Lennon e McCartney” e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” até a primeira parceria entre Lô e Samuel (“Dois Rios”), passando por pérolas do repertório do Skank, como “Te Ver”, “Resposta”, “Três Lados” e “Vou Deixar”.

E como ninguém faz nada sozinho, a banda que acompanhará Lô e Samuel nesta empreitada é formada por alguns dos amigos de fé e irmãos camaradas dos dois, que os acompanham hoje e sempre: Alexandre Mourão no contrabaixo e vocais, Telo Borges nos teclados e vocais, Doca Rolim nas guitarras, violões e vocais; e Robinson Matos na bateria; além de Lô e Samuel se revezando em mais violões, guitarras, vocais e no clima geral.

Mais do que o clichê “encontro de gerações”, a gravação do DVD “Samuel Rosa e Lô Borges” é a prova definitiva de que a universalidade da música dá o tom neste século, deixando de lado conceitos como gêneros, gostos, temperos locais e diferenças geracionais. Uma grande colisão de universos, em prol de novos horizontes que serão criados a partir de agora.

SERVIÇO

SHOW PARA GRAVAÇÃO DO DVD “SAMUEL ROSA E LÔ BORGES”
Dias 7 e 8 de agosto de 2015
Horário: 21 horas
Ingressos: Plateia I e II: R$120 (inteira), R$60 (meia).
Local: Cine Theatro Brasil Vallourec (Rua dos Carijós 258, Centro, Belo Horizonte, MG)

*Verso da canção “Dois Rios”, primeira parceria entre Lô Borges e Samuel Rosa, que está no disco “Cosmotron”, do Skank. A música também tem como co-autor o ex-titã Nando Reis.

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lonely avenue

Em 2010, quando este disco saiu, eu devo ter ouvido “Belinda” umas 767 vezes por minuto. Sua letra triste e a interpretação inspirada de Ben Folds me comoveram.

Hoje, ao fazer o giro matinal de notícias e posts, dei de cara com a capa deste disco. Não me lembro bem, mas acho que coloquei a música no topo da minha lista de melhores daquele ano. E o disco também estava entre os dez.

Vale muito a pena relembrar este belo disco, fruto de uma parceria improvável entre Ben Folds e o escritor Nick Hornby. E vale mais a pena ainda prestar atenção na bela letra de “Belinda”:

BELINDA

Every night around this time
He has to sing ‘Belinda’
Belinda, I love you
Don’t leave me, I need you

He tried to stop a while back
But what is he without her?
A one hit wonder
With no hits is what he is

And anyway he always hears
How much it means to people
There’s a lot of forty somethings
Wouldn’t be in the world without it
So now he does it with this lyric in his head

Belinda, I loved you, I’m sorry I left you
I met somebody younger on a plane
She had big breasts and a nice smile
No kids either
She gave me complimentary champagne

No one ever wants to hear
The song he wrote for Cindy
Cindy, I love you
I need you, don’t leave me

And he can’t blame them, they can tell
His heart was never in it
And Cindy never liked it
But she never much liked him

Belinda, I loved you, I’m sorry I left you
I met somebody younger on a plane
She had big breasts and a nice smile
No kids either
She gave me complimentary champagne

So every night about this time
He feels the old self loathing
While the old folks
In the audience sing along

And he smiles and waves the mike at them
So they can do the chorus
But he’s not there, he’s somewhere else
He’s with Belinda

In the days before
He made it all go wrong
Belinda, I love you
She gave me complimentary champagne
She gave me complimentary champagne

Belinda
Belinda, I love you, sorry that I left you
But I met somebody younger on a plane
Belinda, I love you, sorry that I left you
But I met some bitch, younger on a plane

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rádio skol no apple watch

Tá na hora de reativar isso aqui aos poucos. Vocês sabem que eu vou e volto o tempo todo, mas a necessidade de produzir é bem cíclica e a vontade ultimamente está ultrapassando a preguiça.

O post de volta às aulas é uma conquista da Pontomobi. Fomos os primeiros a entender não só a importância dos wearables mas é o primeiro produto que lançamos visando a inserção no mercado de internet das coisas. E vem mais por aí.

Com vocês, a Rádio Skol para o Apple Watch:

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E aqui a matéria completa, da Exame:

Skol lança primeira rádio para Apple Watch no Brasil

Skol lança primeira rádio para Apple Watch no Brasil: app já está disponível pra download na AppStore e Google Play

Skol lança primeira rádio para Apple Watch no Brasil: app já está disponível pra download na AppStore e Google Play

Do AdNews
São Paulo – A Skol anuncia a primeira rádio brasileira disponível para dispositivos weareble. O aplicativo foi desenvolvido pela Pontomobi e funciona como uma extensão da Rádio Skol para celulares e tablets.Disponível nas versões para o Apple Watch e Android Wear, o app mantém as funcionalidades da versão já existente para outros dispositivos mobile com algumas adaptações às características da nova plataforma, que permite a interação dos usuários com as funcionaldiades da rádio.

“Estamos cada vez mais próximos e inseridos na vida do nosso consumidor. Queremos estar junto em todos os momentos, não somente na mesa do bar ou na balada. E a necessidade de estar cada vez mais perto faz com que a gente se reinvente sempre. A Rádio Skol foi a primeira rádio online e hoje é a maior do Brasil. O sucesso é justamente porque acompanha o consumidor nos melhores momentos. Queremos expandir essa experiência de forma inovadora”, conta Gustavo Castro, gerente de digital da Skol.

As versões do app da Rádio Skol apresentam algumas diferenças depedendo do sistema operacional. Nos smartphones, o Android é mais passível de customizações no wearable do que o iOS. Essa característica permite explorar mais funcionalidades e também ser mais flexível quando o layout da tela.

“Mobilidade não se restringe a celulares e tablets e veremos cada vez mais dispositivos diversos conectados fazendo parte vida cotidiana das pessoas. É o que vem sendo chamado de ‘internet das coisas’. Neste sentido, a iniciativa da Skol em oferecer o aplicativo também nos relógios conectados vai exatamente nessa direção, proporcionando um ponto de conexão a mais com seus consumidores, e permitindo estimular a fidelização com a marca. A intenção foi deixar as funções do aplicativo com interface intuitiva proporcionando a melhor experiência ao usuário e mantendo a relevância da Rádio Skol em um dispositivo com funcionalidades e tela limitadas”, conta Renato Virgili, diretor geral da Pontomobi.

O app já está disponível pra download na AppStore e Google Play.

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roberto planta e santa vicente na sala chevrolet, em belo horizonte

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Faltavam pouco mais de duas horas para o início do show de St. Vincent, que abriria a quinta-feira da versão belorizontina da Lollapalooza Tour Brazil 2015 (não sei se é esse o nome, mas fica valendo) e, enquanto esperava os trutas num pub perto do Chevrolet Hall, ouvi um garçom falando para o outro: “Ó, hoje deve lotar porque tem esse show de um cara do Led Zeppelin ali no Chevrolet. Vamo ficar de olho”. Menos de meia-hora depois e o local já estava repleto de camisas pretas, quase em sua totalidade fazendo alusão ao Deus Robert Plant, ex-vocalista (dá pra chamar de ex? O fim do Zep é definitivo?) de uma das maiores bandas de rock da história, senão a maior, conforme a enquete orquestrada por um dos trutas durante a semana no Facebook. Um ou outro vestiam uma camisa da carreira solo dele, mas o que importava ali era o Led. O Ledão. O Zepelim. O Four Symbols. Roquenrou. Sentiram o clima?

Eu sei que muita gente vai ficar desapontada porque eu até fiz um teaser dizendo que eu, o chato do som, iria ao show para criticar. Mas eu gostei de quase tudo. Que bom. Mas calma porque tem um “quase” no meio da frase. Não dá pra dizer que o som estava maravilhoso. Mas estava bem melhor do que eu imaginava. O Chevrolet Hall não esteve em seus melhores dias neste sentido, mas também esteve longe de estar nos piores. O som de St. Vincent, por exemplo, esteve bem bom do início ao fim de seu curto show (40 minutos). Curto a Annie Clark, mas pra mim seu melhor trabalho é a parceria com David Byrne no disco “Love This Giant”, que rendeu também um belo show que tive a oportunidade de ver faz uns 3 anos. É uma artista que tive que fazer força pra gostar. Porque vocês sabem que isso acontece, né? Eu não entendia o porque de eu não apreciar o som que ela faz logo de cara, mas dei várias chances aos discos anteriores até chegar no último “St. Vincent”, do ano passado, que me pegou de cara. Muito por culpa de “Birth In Reverse”, a canção, com a qual ela encerrou o show de BH. Bela canção, belo encerramento de um belo show em que se destacaram a voz de Annie, sua presença de palco coreografada em quase todo o show e sua guitarra ultraprocessada. E só o fato de os fãs de Robert Plant – aliás, do Ledão – aceitarem o show de Annie Clark, já é um puta reconhecimento para ela.

E aí veio ele, o Robertão Planta. Me ocorreu que aquele era meu quarto encontro com ele. E olha, tirando o primeiro, em 94, no Hollywood Rock, com Jimmy Page, na turnê do “Unledded”, dá pra dizer que este foi o melhor dos outros três. Por um motivo muito simples: Plant está de bem com a vida. Dá pra entender porque ele recusa milhões para uma turnê de reunião do Zeppelin. Primeiro porque ele já tem milhões na conta bancária e não parece ser do tipo que quer sempre mais. E depois porque o que ele vem fazendo com sua carreira solo é algo admirável e um exemplo a ser seguido. Ele não se furta a tocar as músicas do Zeppelin, mas também não é radical como Bob Dylan, que transforma todos os seus clássicos em canções irreconhecíveis. Plant reconstrói suas músicas da melhor maneira possível, conveniente para si mesmo e para sua ótima banda, os Sensational Space Shifters (que nome!). Dois exemplos: “Baby I’m Gonna Leave You”. que abriu o show com um arranjo bem próximo do original e “Black Dog”, bastante alterada. Reconstruída ao bel prazer de Plant e o SSS. E o repertório solo também é bastante palpável, com destaque para a bela, “Little Maggie”, nova no repertório.

Todo mundo saiu feliz? Podem ter certeza. Mas poderia ter sido ainda melhor não fossem os preços exorbitantes cobrados por bebidas no Chevrolet Hall. R$10 por um chopp é um absurdo. Me recuso a pagar. E vocês pensaram que este texto terminaria de forma positiva, não é?

Dependendo do contexto, até que terminou.

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grammy 2015

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Todos os anos eu evito escrever sobre o Grammy por todos aqueles motivos que vocês podem imaginar: os prémios não interessam, a música não é mais a mesma, o mercado americano é dominado por rap e hip-hop, etc. Clichês da cobertura do Grammy que você vê por aí todos os anos.

Mas acontece que este ano alguma coisa mudou. Em primeiro lugar, todas estas afirmativas aí em cima já não me parecem tão verdadeiras assim. E isso é bom. Senão vejamos:

1. Os prêmios não interessam. Olha, podem até não interessar para alguns de nós, mas tenham certeza que os artistas gostam de ganhar, colocar as estatuetas em suas estantes ou nas estantes dos escritórios de seus empresários, e por conta disto valorizar seus passes. E tem também aquele papo de que música não é competição e todos são vencedores, mas repare bem no fundo dos olhos dos competidores. É nítido que todos queriam ganhar. A tentativa de um perdedor de disfarçar a tristeza perante a transmissão da tv é digna de vários Oscar.

2. A música não é mais a mesma. Quem afirma isso normalmente são aquelas pessoas que não conseguem lidar com mudanças. Eu até entendo que os grandes do passado fizeram todos aqueles clássicos, mas será mesmo que nada do que é feito hoje presta?

3. A música é dominada por rap e hip-hop. Sim, e qual o problema? Tem muita, mas muita coisa boa sendo feita por estes caras nos dias de hoje e o senso pop deles está anos-luz à frente da turma do rock, principalmente. Aliás, a turma do country também entende deste riscado e já percebeu que poperizar é o caminho para conquistar públicos mais amplos. Ou você acha que o que Taylor Swift faz é pura obra do acaso? Em tempo: olho nesta garota. É o mais bem acabado produto deste crossover country/pop e pode ser o começo de uma nova era para o gênero.

Posto isso, vamos a algo que me incomodou na cerimônia do Grammy ontem: a melancolia.

Não sei ao certo os motivos disso ou até se não foi uma infeliz coincidência, mas porque diabos as apresentações ao vivo de ontem focaram em canções lentas e até um pouco melancólicas? O pop, que sempre foi tão pródigo em criar canções uptempo, para as pessoas dançarem e se sentirem alegres, parece que mostrou uma outra faceta este ano. Sim, as baladas sempre estiveram por aqui e acolá, frequentando as paradas vez ou outra, mas neste ano o gosto pela lentidão passou dos limites. Não sei se a “culpa” é de Sam Smith, que não só frequentou os topos das paradas americanas no último ano, com ganhou uma penca de Grammys ontem. Sua “Stay With Me” é uma canção perfeita para um dia chuvoso e frio. É isso. O Grammy ontem foi chuvoso e frio.

Quem fugiu desta mesmice se deu bem: Annie Lennox mandando uma versão de “I Put a Spell On You” e, vejam vocês, uma senhora de quase 60 anos chamada Madonna, que com uma canção mediana (‘Living For Love”) fez uma apresentação mediana mas conseguiu atrair as atenções. Ah sim, teve o AC/DC abrindo a cerimônia com a dobradinha “Rock Or Bust” e “Highway To Hell”. Brian Johnson estava com a voz em um dia não tão feliz e Chris Slade fez sua reestréia segurando as baquetas. Mas até aí o AC/DC sempre foi um estranho neste ninho e continuará sendo.

O resto foi tudo muito sonolento. E de certa forma surpreendente. Não digo que foi decepcionante porque é sempre bom saber que o mercado não se preocupa apenas com quem quer pular ao ouvir uma canção, mas foi estranho ver isto. Envelheceram os artistas? Amadureceram? Perderam a pressa da juventude? A seguir, cenas dos próximos capítulos.

Abaixo, um dos melhores momentos da noite:

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foo fighters em bh: a experiência

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Foto: Lincon Zarbietti/O Tempo

Não sei como chamar este texto sobre o show do Foo Fighters em BH. Crônica? Crítica? Poesia ou prosa? Aceito sugestões.

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Clayton, me deixa aqui. A entrada da pista é logo ali. Levo a capa de chuva ou deixo? Melhor levar, tá tudo nublado. Chuva no óculos é foda. Bora subir a escadaria do Salão de Festas do Galo. Caramba, sem fila! Pooooorra, que coincidência encontrar vocês aqui na entrada! Se tivéssemos marcado, não chegaríamos tão na mesma hora! “Vc comprou, James?” Comprei. Não peço mais ingresso nem credencio. Se eu tiver a fim, compro e vou. “Nós ganhamos. Eu nem vinha mas pintou ingresso, resolvi.” Me revista aí, segurança! Tem nada não, só celular e carteira no bolso! Caraaaalho, tamo aqui porra! Bora beber! Preciso ir ao banheiro! Gabiiiii, há quanto tempo! “Olha o tamanho do meu filho!” Caráaaalho, esse é seu filho??? E aí broder, tudo bem? Pronto, vamo beber! Ô broder, quando é a cerveja? 10 reais! PUTAQUEPARIU! 10 reais numa Bud? Tá de sacanagem! Faz 3 por 20! “Não posso! Vim lá do Rio pra vender aqui, maluco! Lá no Rio tava maix caro!” Tá bom, dá uma Bud aí! Mas não pago mais! Me recuso a pagar 10 conto numa Bud!

Ó! Começou o Kaiser Chiefs! “É boa essa banda, James?” Ah, tem uns 4 hits aí e só. Bem terceira divisão. Gaaaaaalooooo! Aqui é nosso salão de festas, porra! E essas duas tendas aí no meio da pista? Vamo ficar aqui do lado de uma delas, dá pra ver legal. Essa aí é o segundo hit deles. Faltam dois. Pensando bem acho que são mais de quatro. Tinha esquecido de Never Miss a Beat. Bem meia boca esse show, hein? O som nem tá ruim. Já teve Raimundos? “Vou ali comprar mais uma e mijar”. Quero não, valeu. Me recuso a pagar 10 contos numa Bud. Putz, não acabou esse show ainda? Deve acabar em Ruby. Ih, tem mais? “Sabe qual a diferença entre Kaiser Chiefs e Foo Fighters?” É que Foo Fighters é bom! Rárara.

Vai começar 21h15 certinho, quer ver? Ih, tá atrasado. Tenho certeza que a primeira música vai ser Something From Nothing. Caralho, começou a chover. Vou botar a capa. “A minha custou 5 contos lá fora”. Eu ganhei essa aqui num festival na Europa. Que bosta essa chuva. Uuuuuuuuuuuu! Caraaaaaalho, a Igreja da Pampulha no telão! Os caras sabem como conquistar a multidão! Daaaaaave, foooooda, pooooooorra, até que enfim, desde o show que eles cancelaram por causa da Telemig! “Mas foi isso mesmo?” Ué, dizem que sim! O Dave confirmou numa entrevista pra Bizz um ano depois. I’m sooooomethin from nooooothiiiiing / you are myyyyy fuuse. “Melhor música do Foo Fighters!” Vc acha? Eu acho que é a melhor do Sonic Highways.

Que bosta de som! Tudo embolado, caralho! “Aumenta aí, porra!”. Não tô ouvindo a guitarra! A voz do Dave tá baixa! Tudo errado! De repente melhora, vamo ver. Pretender, que foda! “Acho doida essa”. “Jaaaaames, cheguei!” Até que enfim, achei que vc não fosse me encontrar! “Perdi muito?” Não, acabou de começar, é a segunda música! “Como é que vc vai embora?” Não sei, vamo ver, tudo pode rolar. Aqui é uma merda pra pegar táxi. Vamo de MOVE! É, vamo ver! “Bora beber?” Pode ir, não pago 10 contos numa Bud.

Metade do show e continua uma merda o som. Puta que pariu, o cansaço tá batendo. Tô velho pra show de arena. Ô porra, não empurra! Vamo ficar aqui que não vai ter ninguém do lado por causa destas merdas destas tendas no meio da pista. Quem é esse cara? É o cara da banda cover deles? Olha a camiseta do Circuito do Rock! Theeeeere goooooes myyy heeeeroooooo. Curto o Taylor cantando. Mas não tá dando pra ouvir porra nenhuma da voz dele! Merda, o som vai e vem. “James, vou ali no banheiro” “James, roubaram meu celular!” Putaquepariu, vamo olhar aqui no chão! Acessa o Icloud pra ver se ele tá por aqui! “Tem que ficar esperto, galera! No show do Iron Maiden, no Mineirinho, rolou arrastão na pista vip”. Não tá online. O meliante deve ter desligado. Que boooooosta! “Não tenho o telefone do taxista que vem me buscar! Deixa eu ver se eu consigo com outra pessoa! Me empresta o seu.” Detesto essa fritação em Monkey Wrench. “Vamo comprar cerveja.” Nem fudendo! Não vou pagar 10 contos numa Bud!

Olha o Dave ali! Pertinho! Num tô vendo nada! Essa galera nos ombros aí tão tampando tudo! Tem um cara no ombro do outro ali! Skin and Bones é bonita, vai. Puta merda, o cansaço tá batendo. Vô fazer uns alongamentos aqui, galera! É agora que eles vão pro palco B. Times Like These é boa, eu curto! Vamo ver que covers eles vão tocar! A chuva parou, ainda bem! Rárara. Saca como galera não conhece Kiss! Ninguém cantando nem agitando! Lá vem o Rush! Até que eles mandaram bem! “Seria o Foo Fighters nada além de uma bela banda cover?” Para, pô! Que banda de rock tem mais hits que eles nos últimos 20 anos? Esse show tá meio no piloto automático ou eu que tô? Pressure! Pushing down on me / Pressing Down on you, no man ask for! Uma das melhores músicas de rock da história e galera não conhece? Tá de sacanagem! Mas esse é o público do Foo Fighters, né….

A última vai ser Everlong. Vamo sair antes? “Ah, não, vamo até o final!” Não tenho mais idade pra essas coisas, tô muito cansado. Show de arena é pra moleque. Cuidado aí, caralho! Putz, tem um mosh atrás da gente! Caraca, só tem tiozinho nesse mosh! Foo Fighters não é banda de adolescente! Vai chegar tudo em casa com o corpo moído! Vambora, não aguento mais! Pelo menos a saída é fácil. Onde tá a van? Vamo até lá? “Vou levar todo mundo em casa”. Beleza, sou o último. Que horas são, motorista? “Uma e meia”. Putz, tô velho pra essas coisas. Show de arena é um pé no saco mesmo. Vc vai, passa perrengue, não escuta, não tem espaço, é pisoteado e ainda tem que pagar 10 conto numa Bud. Ainda bem que eu não paguei. A Bud, porque o ingresso foi caro. Pra mim chega!

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três visões sobre mídia e tecnologia

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O que mais me instiga ao ver um filme é sua capacidade de nos (me?) fazer pensar. Sou do tipo que consegue sempre encontrar algo de bom em qualquer obra cinematográfica, mesmo que ela não tenha predicados aparentes. Não consigo acreditar que um filme não traga nada, mas nada mesmo, de contribuição para a sua, a minha, a nossa vida.

Com um mínimo de esforço, somos todos capazes de encontrar estes caminhos. Quando eles se cruzam então, se tornam ainda mais valiosos para mim. Inconscientemente e aleatoriamente, acabei assistindo a três filmes (na verdade dois filmes e uma série de tv) que não só procuram discutir o mundo moderno como o fazem de uma maneira bastante pessimista. E talvez suas similaridades parem por aí. Ou não.

Um deles é O Abutre, que está em cartaz nos cinemas brasileiros. Jake Gyllenhall vive um jovem que envereda pelo submundo dos cinegrafistas amadores, cobrindo acidentes de trânsito e vendendo o material para emissoras de tv ávidas por sangue. Tenho lido bastante sobre este filme por aí: é sobre a mídia? sobre jornalismo? Incomoda ou não incomoda? Eu acho que é um pouco de tudo. É de certa forma uma glorificação da estética “Datena”, em que o mundo cão é jogado diante de nossos olhos que, arregalados, absorvem a informação e a armazenam para futuras referências grotescas. Não é preciso caminhar muito no pensamento para entender que o filme, através do personagem de Gyllenhall, parece glorificar a profissão (e seu final – não vou contar – colabora com isso) mas no fundo o que vemos ali é uma tristeza profunda, um vazio de sentimentos e a espetacularização deste grotesco, da morte e do vazio que é a vida.

Vida vazia também é um dos temas de “Homens, Mulheres e Filhos”, que não está mais em cartaz mas, se eu fosse você, procurava por aí para baixar. Uma premissa: não é um filme para jovens. Por vezes me perguntei se o eu de 19 anos de idade estaria dando razão a um ou outro lados. Na tela, através de uma série de histórias entrelaçadas, o diretor Jason Reitman nos mostra o quanto nossa dependência permanente de celulares e demais aparatos transforma nosso dia-a-dia em algo extremamente banal e vazio de sentimentos (um de meus temas prediletos). Estamos em todas as partes no mundo online mas não estamos em lugar algum ao mesmo tempo. Se não respondemos uma mensagem, é sinal que nao queremos ou não podemos? Até onde pode ir o controle dos pais acerca da vida online dos filhos? São todas perguntas feitas pelo filme, com respostas nem sempre satisfatórias, mas que evidenciam o enorme vazio em que vivemos.

Já a série “Black Mirror”, produzida pelo Channel Four inglês entre 2011 e 2013, mas que teve um episódio especial exibido agora neste Natal é quem melhor trabalha este tema porque beira o absurdo em muitos momentos. São sete episódios completamente separados um do outro (a não ser por pequenos detalhes aqui e acolá), cujo fio condutor é a vida moderna e os impactos da tecnologia em nossa vida. No passado ou no futuro, utilizando tecnologias que podem facilmente ser inventadas e outras que eu realmente duvido que possam existir algum dia, seu criador Charlie Brooker conseguiu traçar um panorama crítico da vida moderna, quase sempre apontando caminhos que levam a um fim do túnel pessimista.

Aliás, talvez este seja o principal fio condutor das três produções. Ao criticar a mídia e a tecnologia, nenhum dos três aponta uma saída otimista, ainda que aparentemente, aqui e acolá, a superfície de tudo pareça ser assim. Com personagens perturbados, a lição que consegui tirar é a de que, por mais que sejamos regidos pela tecnologia e pela mídia, nós somos quem as construímos. Como reflexo de nós mesmos. Como reflexo do que somos ou do que podemos ser. Será que é isso que queremos?

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Música, cinema, comportamento, tecnologia, vida