Há muito se fala que o Brooklyn é a região mais quente de New York nos dias de hoje. E quando digo “quente” não me refiro à temperatura (que vai muito bem, obrigado. hoje fez uns 35 graus na sombra), mas ao que tem saído de lá. Senão vejamos. MGMT, Yeasayer, Dirty Projectors, Battles, TV On the Radio, Vampire Weekend. Does it ring a bell? Pois é. Alguns dos nomes mais interessantes do rock/pop/eletrônica de cinco anos pra cá nasceram no Brooklyn, principalmente na região de Williamsburg. Se em décadas anteriores, o Village ou a região do Bowery ou SoHo foram as fontes, agora a parada está toda no Brooklyn.
Nada mais natural do que ir conhecer o local. Baixei em Williamsburg no último domingo para a última edição da Jelly Pool Parties em 2010. Pelo que eu entendi, é um evento que começou pequeno e foi crescendo graças ao hype. Agora, junta mais ou menos 5 mil pessoas aos domingos, no tal Williamsburg Waterfront, durante o verão. Uma espécie de parque à beira do East River, com uma vista privilegiada da New York skyline ao fundo. E aí a galera se junta pra beber, dançar, tomar sol e ouvir algumas boas novidades locais. Como a banda Delorean, que foi a atração principal deste último domingo de Jelly Pool Parties. E pelo nivel de quem passou pela JPP em 2010 dá pra entender um pouco o que acontece no Brooklyn por estes dias: Chromeo, Cut Copy, !!!, Deerhoof, Xiu Xiu e por aí vai. Gente indie como o próprio Brooklyn, que continuará lançando tendências e revelando bons nomes para o mundo pop nos próximos anos, pode ter certeza. Sem falar nas mulheres lindas. Sim, mulheres lindas! Ou você acha que só no Brasil que tem isso?
and now for something completely different….
E aí, dois dias depois, fui conferir a old New York. Ou, a geração que começou tudo. Ou a geração punk. Ou, o Blondie. Se apresentou no Nokia Times Square, que nada mais é do que um cinema espetacular, onde um dia assisti a Titanic em 70mm, transformado em casa de shows.
Público eclético: turistas perdidos, punks da velha guarda (vi vários Joey Ramone impersonators) e órfãos do punk rock da década de 70. E lá em cima ela. A grande musa de toda esta geração. Devo confessar que ver uma figura como Debbie Harry a poucos metros de distância cantando como nunca e mostrando que a idade chegou apenas nas rugas do rosto e no corpo que não é o mesmo de quanto ela tinha 20 anos, me emocionou. Meu velho coração rock and roll não aguenta este tipo de coisa. E quando, logo na segunda música, ela emenda “Hangin’ on the Telephone” (video amanhã, aqui mesmo neste espaço) tudo faz sentido. Não que o show tenha sido um primor. Por culpa deste público eclético, foi frio em vários pontos, inclusive no encerramento com “Heart of Glass”. Mas ouvir todos os clássicos do Blondie e ainda as covers de “Pet Sematary” (Ramones) e “See No Evil” (Television) em plena New York, tem todo um outro significado para quem vive, respira e fala de música o tempo todo.









