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Criolo

Criolo passou por Belo Horizonte na última sexta-feira, num show concorridíssimo. Foi o primeiro show dele pago na capital e ele mostrou que é bom de público. Muita gente duvidou. Eu inclusive.

Várias coisas me impressionaram. A principal delas, o público. Brinquei que foi o maior encontro “hipster-mano-tilelê” da história belorizontina mas tem o seu fundo de verdade. O público do Criolo passa por aí mesmo. Mistura raças, castas e crenças e, acreditem, fica tudo muito homogêneo.

Outra coisa que me impressionou foi a entrega. Não só do artista em cima do palco, como do público, devoto e fiel. Quase uma comunhão. Criolo é um ótimo frontman, um rapper (?) competente e já criou, em torno de si, uma espécie de seita, com seguidores que fazem um espetáculo à parte, sentindo as canções tanto quanto ele.

O calor do Music Hall incomodou bastante, mas também ajudou. Tornou o espetáculo ainda mais quente e pessoal do que ele teria sido se um ar-condicionado potente estivesse por lá funcionando. Sobre o show, nada além do que já foi dito por aí: centrado no repertório de “Nó na Orelha”, com direito à referência a “Cálice”, de Chico Buarque, dançante, reflexivo e empolgante. Tudo na medida certa.

Finalmente, uma constatação: que bom que o hip-hop brasileiro entendeu que é bem mais produtivo dialogar com os outros ritmos, genuinamente brasileiros. Criolo passeia literamente do hip-hop ao samba, sem esquecer da canção tradicional (“Não Existe Amor em SP” poderia tranquilamente ter sido escrita por um Caetano Veloso. Não à toa, Caetano a cantou com Criolo no último VMB da MTV) e – pasmem! – o funk carioca.

Pra vcs sentirem, vai aí um videozinho feito pelo pessoal do I Love Bubble:

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Shame

Vi hoje “Shame” e não gostei tanto quanto achei que gostaria.
A história do viciado em sexo e seu relacionamento com as mulheres, o trabalho e sua irmã problemática não me causou o efeito que ele prometia. Verdade que o filme está todo na interpretação magistral de Michael Fassbender, e é um daqueles que valem mais pelos olhares do que pelas palavras (os diálogos, quando existentes, são econômicos), mas alguma coisa nos olhares não me pareceu 100% ok. Por vezes não consegui decifrar o que se passava ali dentro (o relacionamento entre Brandon e Sissy é platônico, tenso ou tudo ao mesmo tempo?), e talvez por isso mesmo terminei um pouco decepcionado.
Mas de qualquer forma, não é um filme ruim. Vale muito a pena, exatamente por se encaixar na categoria que mais gosto: filmes que dizem mais com imagens do que com palavras. Pode parecer uma bobagem, já que o cinema é feito de imagens, mas tenho reparado que as pessoas não se identificam muito com filmes que privilegiam isto. Ao final, todos querem uma explicação, um final que dê conta do que aconteceu antes.

Mas enfim, vamos ao que interessa. Por mais que você goste ou não do filme, não dá pra negar que seu grande momento é a performance de Carey Mulligan para “New York New York”. Tensa, densa, sexy e triste. Assistam:

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