O Conexão acontece aqui em BH há trocentos anos e, antes de ser Vivo e ganhar o resto do país, era Conexão Telemig Celular. Sempre gostei do formato, dos locais escolhidos para o evento e acho que o Parque Municipal é a casa do evento.
Entretanto, os lineups sempre tiveram altos e baixos. O deste ano está mais para baixo do que pra alto. Não vi muita coisa que me desse vontade de ver. Aliás, papo pra outra hora: será que a tal nova música brasileira está em algum tipo de descendente? Ou o interesse passou?
Anyway, vou lá ver a Gaby Amarantos amanhã. No mais, a programação completa do Conexão Vivo está aqui:
A Poplist é uma lista de discussão por email que participo há muitos anos e está rolando um projeto muito legal.
Todos os integrantes estão fazendo suas listas de discos da vida. Não são os melhores discos, mas o que mais te marcaram na sua vida.
Hoje foi o meu dia. Então, sem mais delongas, vamos à lista.
OS DISCOS DA VIDA – RODRIGO JAMES
Como a idéia desta lista não é colocar os cinco melhores discos que ouvi na vida, mas os cinco que me marcaram, relaxei quando sentei pra escrever porque imaginei que fossem bem menos e seria fácil chegar aos cinco. Não foi. E, ao fazer, as lembranças foram voltando e realmente fiquei emocionado em alguns casos. Não sei se passei isso no texto. Talvez tenha passado, mas pode ser imperceptível para vocês. De qualquer forma, aqui vai minha memória afetiva musical. Espero que gostem!
1. RITA LEE E ROBERTO DE CARVALHO (1982)

Memória afetiva é realmente o termo para definir a escolha deste disco como o primeiro da minha lista. E por um motivo bastante insólito. O ano era 1982 e, com dez anos de idade, tudo o que eu queria era não mais parecer uma criança e ascender ao mundo dos adultos. Ok, eu já ouvia e consumia discos infantis (os Trapalhões eram os campeões na minha então incipiente discoteca). Um belo dia, talvez motivado pela trilha sonora de alguma novela ou por achar que aquilo se encaixava no que ele achava que eu poderia ouvir, meu pai me presenteou com este disco. Ouvi até furar. Não literalmente, claro. Para quem não está ligando uma coisa com a outra, é o disco que tem “Flagra” e “Cor de Rosa Choque”. Não sou bom em datas, mas pode ser que meu pai tenha escolhido o disco porque estes dois hits foram temas, respectivamente, da novela “Final Feliz” e do programa “Tv Mulher”. Não que eu tenha sido um fã ardoroso de novelas, e até mesmo o Tv Mulher acho que nunca assisti, pois coincidia com meu horário de aulas, mas me sinto na obrigação de agradecer a estes dois programas, pois possibilitaram a escolha de meu pai. “Rita Lee e Roberto de Carvalho” não é meu disco favorito da Rita, mas na minha memória ele está guardado como meu primeiro disco “adulto”.
2. THE SMITHS – HATFUL OF HOLLOW (1984)

Agora estamos em 1985 e estou na sétima série do primeiro grau (ensino fundamental, nos termos atuais). Meu melhor amigo, Leo Veras, era filho do diretor da rádio lider em audiência na cidade de Belo Horizonte, e tinha acesso a tudo que as gravadoras despejavam no mercado. O cara ganhava toneladas de discos e, claro, não gostava de tudo. Na posição de melhor amigo, muita coisa acabou respingando em mim. Um belo dia fui presenteado com um pacote que incluía o disco do Mr. Mister (aquele que tem “Broken Wings”), um do Simple Minds (“Once Upon a Time”) e este disco estranho de uma banda que nunca havíamos ouvido falar, de uns tais Os Silvas. Me lembro direitinho do comentário do Leo ao me repassar esse disco: “Ah cara, não gostei muito. Todas as músicas são iguais”. Intrigado com aquele disco, ouvi repetidas vezes e confesso que ne época achei mesmo todas mais ou menos iguais, menos uma tal de “How Soon Is Now”, que me pareceu meio sombria e fora do contexto. Meses depois descobri uma matéria sobre eles numa tal revista “Bizz”, que acabava de chegar na banca do Zé e entendi a história. Sem querer, Leo Veras me iniciou no mundo indie. Devo agradecê-lo por isso?
3. PEARL JAM – TEN (1992)

Aos 20 anos de idade, fiz minha primeira viagem internacional. O destino foi Los Angeles, para onde o mesmo Leo do disco anterior, havia se mudado. Em 1992, antes da internet, dos downloads de discos e do youtube comandando tudo, consumíamos música através de CDs, lembram? Meu intuito maior ao visitar o hemisfério norte era comprar CDs. Coisas que não chegavam por aqui, coisas que eu ouvia falar mas não tinha acesso e as últimas novidades que ainda seriam lançadas pelo Brasil. Foi numa destas que marcamos uma visita a saudosa Tower Records, da Sunset Strip, no coração de Hollywood. Antes, enquanto nos arrumávamos para sair, a tv ligada na MTV anunciou a estréia mundial de um clipe de uma banda chamada Pearl Jam. Já havia ouvido falar, mas não tinha prestado atenção. Aquele clipe estranho, com aquele vocalista que fazia caretas e contava uma história igualmente sombria sobre um certo garoto Jeremy chamou nossa atenção e foi o primeiro CD que peguei quando chegamos na Tower e me lembro muito bem do banner da loja anunciando o disco. A partir daí, apesar de au ter adquirido mais 83 CDs, aquele “Ten” passou a ser a trilha da viagem. No fim de semana seguinte, ao pegar a estrada para ir a Vegas, ouvimos repetidas vezes, na ida e na volta. Aproximadamente oito horas de “Ten” que nunca mais saíram de minha memória.
4. BEATLES – 1962-1966 / 1967-1970 / LULU SANTOS – TEMPOS MODERNOS



Sim, eu sei, estou trapaceando porque coloquei 3 itens em um só tópico, mas é que me lembram de uma só tarde, lá pelos idos de 1984 ou 1985, e não consigo dissociar uma coisa da outra. A Mariella era uma amiga querida, colega de sala no glorioso Instituto Metodista Izabela Hendrix. Nesta época ela namorava o Marcelinho, um de meus melhores amigos até hoje. Eu era apaixonado não por ela, mas pela irmã, Tatiana. Linda, glamurosa, tinha nesta época uns 16 anos, no máximo (eu tinha 13). Em uma destas tardes da adolescência, fomos todos até a casa onde elas moravam, no Condomínio Estância Serrana. Para quem não conhece Belo Horizonte, este condomínio fica em Nova Lima, nos arredores da cidade. Se hoje é fácil ir até lá, em 1985 não era e tínhamos que contar com a boa vontade de pais, mães e similares. Não me lembro quem nos levou e nem quem nos buscou, mas quem quer que seja, agradeço, pois passamos uma tarde deliciosa ouvindo música, bebericando alguma coisa sem álcool (acho que refrigerantes), comendo salgadinhos e, enquanto Marcelinho e Mariella namoravam de um lado da mesa, eu e Tatiana conversávamos sobre tudo e todos. Assuntos típicos da adolescência,que enveredaram pela música. Não ficamos, nunca chegamos a namorar e a amizade nem foi pra frente com o passar dos anos. Mas a lembrança daquela tarde ouvindo Lulu Santos e as duas coletâneas dos Beatles ficou cravada na minha memória. E se eu já era um fã de Lulu, conhecia pouco dos Beatles até então. Foi neste dia que bateu. Culpa dos olhos de Tatiana, de seu rosto angelical e de sua voz cantando “She’s got a ticket to riiiiiide”. Valeu Tati!
5. VAN MORRISON – ASTRAL WEEKS

Pra terminar, um salto no tempo para frente, apesar de o disco ser da década de 60. Van Morrison foi um artista que descobri tardiamente e hoje agradeço por isso. Assim como filmes, livros, eu acredito que existam tempo e espaço corretos para se ouvir música. Quantas vezes vocês não ouviram algo que parecia à frente daquele tempo, ou não faz parte do seu universo naquele momento? Revisitar canções, discos, obras culturais num geral, e notar que elas se transformaram em algo diferente é um dos grandes prazeres da vida. Com Van Morrison e seu “Astral Weeks”, isso bateu de uma forma diferente. Primeiro porque eu acredito ter descoberto o disco na época certa, na virada da década de 90 para 2000. Uma época estranha, de incertezas para mim, prestes a completar 30 anos de idade, com a crise batendo à minha porta. À parte o conteúdo do disco, ouvir “Astral Weeks” em uma noite, sozinho, em casa, com as luzes apagadas, foi uma espécie de revelação. Pela primeira vez, eu sentia que aquela música era minha. Não que Van Morrison havia escrito para mim, mas eu me sentia realmente dono daquilo, como se fizesse parte de tudo. A música não era apenas algo que eu ouvia, me emocionava, mas tinha chegado em algum ponto além disso. “Astral Weeks” passou a fazer parte de mim, este espírito passou a me guiar desde então e é algo que carrego até hoje. Não dá pra explicar o porque de algumas coisas baterem e outras não. Só sei que muito pouca coisa me emociona nos dias de hoje. E um numero menor de canções fazem parte de mim.
COLETANEA
http://www.4shared.com/zip/IZVvVbZg/discos_da_vida_rodrigo_james.html
1. Rita Lee – Flagra
2. Rita Lee – Cor de Rosa Choque
3. The Smiths – William It Was Really Nothing
4. The Smiths – How Soon Is Now?
5. Pearl Jam – Jeremy
6. Pearl Jam – Release
7. Lulu Santos – Tempos Modernos
8. Beatles – Ticket To Ride
9. Van Morrison – The Way Young Lovers Do
10. Van Morrison – Cyprus Avenue
Neste fim de semana vou participar do juri da mostra competitiva do Conexão Vivo Movida, evento que faz parte do Conexão Vivo dedicado a videoclipes e docs musicais. Tem muita coisa legal e a programação é extensa. Abaixo o flyer de divulgação. Clica nele pra ampliar e ver a programação detalhada. Bora lá?
Tocando/cantando “Wouldn’t It Be Nice’. E quantas pessoas tem nesta banda? É tipo um récorde?