Tá cheio de amigo que vai tocar nessa festa. Então….
Mais do que a expectativa pelo show em si, todos que foram no último sábado ao Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, queriam saber se o estádio funcionaria e conseguiria abrigar um show daquele porte. A resposta veio logo na chegada e duraria até o final do evento: aprovadíssimo!
Claro que você pode ter encontrado um ou outro probleminhas. Um caixa de bar fechado aqui (aconteceu comigo, que não consegui comprar uma água ao final do espetáculo por isso), uma fila quilométrica acolá, mas nada que não seja normal em um evento para 40 mil pessoas (não sei qual foi o publico final, mas chuto uns 30 mil, já que não estava lotado).
Já que o brasileiro adora comparar com o que acontece lá fora, então vamos lá. Em junho do ano passado assisti a Bruce Springsteen no Estádio Santiago Bernabeu, em Madrid. E quer saber? A experiência foi igual. Chego a arriscar que a de ontem foi ligeiramente melhor porque peguei uma fila bem menor (em Madrid fiquei 1 hora na fila embaixo do sol para entrar). A logistica de entrada e saida foram similares. Enquanto aqui enfrentei quase uma hora para sair do estacionamento e chegar à Savassi, em Madrid fui obrigado a sair antes do final do show para que eu conseguisse pegar um taxi. Detalhe: pra quem reclama de transporte publico por aqui, lá em Madrid o metrô também não funcionava naquele horário.
No Mineirão, eu vi tudo sinalizado, vi filas que andavam, vi banheiros com água, vi bares funcionando, vi uma estrutura invejável de cobertura do gramado, e vi um show….
E que show! É daqueles espetáculos que entregam o que prometem. Um show de duas horas e meia composto quase em sua totalidade por hits. Tem poucos fillers e buracos, mas mesmo quando eles acontecem, não chegam a cansar, como na linda instrumental “Funeral for a Friend”, e em “The One”, executada brilhantemente por Elton sozinho ao piano. O resto? Só alegria! Das belas “Sorry Seems to Be The Hardest Word” e “Tiny Dancer” até as arrasa-quarteirão “Crocodile Rock” e “Saturday Nights’ Alright for Fighting”, que encerram o setlist. O bis, claro, só poderia ser “Your Song”. Antes disso, Elton autografou discos, camisetas e esbanjou simpatia.
Um grande espetáculo num grande palco. Antes de tudo começar, no trajeto até o Estádio, um amigo me perguntou: “E aí? Animado pra ver um showzinho hoje?” E eu o corrigi: “Showzinho não. Hoje é showzão com S maiúsculo.”
Eu nunca pensei que fosse um dia para o Carnaval de Salvador. Ok, na minha juventude já tive devaneios de querer entrar em um bloco, pegar a mulherada e tal. Mas essa vontade passa logo depois dos 25 anos, quando você começa a ter discernimento e percebe que para pegar a mulherada é preciso fritar horas no sol em um bloco ouvindo as mesmas cinco músicas baianas do momento. Sem contar que as pernas cansam. Muito.
Ok, fui a trabalho e essa parte foi bem legal. A equipe que participou da cobertura Skol era demais e foi um sucesso o processo todo. Muito bom trabalhar com pessoas inteligentes, focadas e que querem dar “tudo de si” para que o cliente fique satisfeito.
Então, passado o momento corporativo, vamos às impressões. A primeira delas é olfativa. Salvador, durante o Carnaval, fede. Mas fede muito. Principalmente a mijo. As pessoas urinam em qualquer lugar durante os blocos. Até mesmo em um morro que separa Barra e Ondina, no circuito que leva o nome dos dois bairros. Um morro difícil de subir, mas que não era problema algum para o folião bêbado e mijão. Não sei o nome do tal morro, mas vai ficar conhecido por mim como Morro do Mijo.
E aí a música. Eu jurei tentar separar o joio do trigo e até que consegui. Dá pra dizer que as passagens dos trios de Daniela Mercury (com um pout-pourri de clássicos da MPB) e Armandinho Dodô e Osmar foram as melhores partes e as únicas em que cheguei a me emocionar. Moraes Moreira também passou mas achei estranho. Ele parecia uma estátua parada na frente do trio, cantando suas músicas. Entendo o Moraes. Ficar ali não é tão divertido assim. É preciso culhão pra enfrentar a multidão em cima de um trio. Algumas pessoas, como Claudia Leitte, Ivete Sangalo e a própria Daniela Mercury já dominam isso como poucas e fazem disso seu diferencial. Mas em compensação, a música sofre….
Porque no mais é um emaranhado de canções fracas, que exaltam a repetição, a coreografia, a “folia”, a “azaração” e alguns outros conceitos desse tipo. Pérolas como “Ziriguidum” dos Filhos de Jorge, e “Largadinho”, de Claudia Leitte são executadas à exaustão, brigando por um espaço na mente dos foliões, e não deixando que ninguém fique um segundo sem escutar alguma delas. Uma lavagem cerebral, eu diria.
Outra coisa impressionante é a organização. Ou a desorganização. O Carnaval de Salvador é uma espécie de caos organizado, onde tudo parece que vai dar errado mas acaba dando certo. Os percursos entre o hotel e os camarotes e blocos foram longos e bem acidentados. Diariamente tínhamos que enfrentar a multidão e sujeitos a muitas trovoadas de todas as espécies. Arrastões, brigas, e tudo mais que um evento de rua oferece de pior. Mas tudo acaba por funcionar e – incrível – com poucos atrasos. No último dia rolou inclusive uma antecipação de horário, no bloco de Tuca Fernandes!
E aí, no cômputo geral, fica a experiência de ter participado dos bastidores de um mega-evento como este, por uma empresa que não é a maior do país à toa (Ambev) e com profissionais da mais alta estirpe. Mas quer saber? Ano que vem eu passo o bastão para outra pessoa. Quem se habilita?
E deixo vocês com o grande hit do Carnaval. Já decorou a coreografia?
Não aguentei. O bichinho viajante que habita em mim não conseguiu ficar hibernando até ano que vem. Portanto, resolvi gastar mais alguns reais, convertê-los em dolar, e aproveitar que tenho milhas para gastar, e passar uma semaninha em New York.
Mas não vou agora. Vou apenas no fim de setembro. E é por isso que estou aqui com esta antecedência.
Todo mundo tem uma dica de New York, certo? Eu mesmo tenho várias e já até fiz um guia de viagens para alguns amigos, depois de minha passagem por lá em 2010.
Só que agora eu quero A SUA DICA.
Nada de programas turísticos tradicionais. Quero, como diria o célebre Álvaro Garnero, em seu programa na Record, a “SUA” New York. Aquele lugar que só você conhece, mas que você tem certeza que eu vou gostar. Tá valendo loja, museu, rua, praça, restaurante, bar, qualquer coisa.
Manda aí nos comentários! Quem sabe você e eu não começamos um novo negócio, de guias de viagens diferenciados, já que o Lonely Planet já era! (Brincadeirinha! Eu adoro o Lonely Planet!)
Porto, Braga, Guimarães, Peso da Régua, Coimbra, Fátima, Cascais e Lisboa. Em pouco mais de uma semana, passei por todas estas cidades de Portugal e mais algumas outras menores pelo caminho.
Confesso que Portugal e seu interior nunca me fascinaram. Nunca estiveram na lista de lugares que eu deveria visitar antes de morrer, mas quando a idéia me foi proposta por uma amiga, acabei topando exatamente por ser um lugar fora do meu espectro.
O que tiro de minha viagem por Portugal é que, à parte a aula de história, é um país aconchegante, que aprendeu a conviver com o antigo e o novo, sem perder nenhuma das características de um e de outro. Talvez o maior exemplo disso esteja na Casa da Música, no Porto. Uma construção maravilhosa, moderníssima, em meio a todas aquelas igrejas e prédios históricos da cidade.
Confesso que me emocionei em Fátima. Nunca fui uma pessoa religiosa e Fátima era um local que pensei que nunca fosse visitar. Mas fui e talvez tenha sido o ponto alto de nossa road trip. Ver a fé das pessoas, andando de joelhos ao redor do altar erguido no mesmo local onde Nossa Senhora apareceu para os três pastores me emocionou profundamente. Fiquei ali olhando aquela cena, parado por vários minutos, imaginando o que se passa nas cabeças, e principalmente nas almas daquelas pessoas.
E Lisboa….bem, com o auxílio precioso de um amigo nascido e criado na cidade, a passagem por lá foi ainda mais agradável. Fui a lugares que definitivamente não iria se estivesse sozinho. Com destaque para dois grandes restaurantes: o Solar dos Presuntos e sua comida simplesmente divina; e o outro (que me esqueci o nome) na Cidade Alta, em meio às ruazinhas históricas, e com uma comida caseira absurda de boa. Isso sem falar na visita à grande casa da música independente portuguesa (Music Box) e um bom show de uma banda emergente – Corsage – com um show baseado em seu novo disco, “Música Bipolar Portuguesa”.
Agora chegou a vez da parte espanhola da viagem. Já cheguei a Madrid e amanhã tenho um encontro com The Boss no Estádio Santiago Bernabeu. Depois, Barcelona e mais alguns relatos de viagem.
Abaixo, um dos grandes momentos da viagem até agora. O vinho que tomamos no restaurante DOC, às margens do Rio Douro.