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Bem-vindo de volta, vinil

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Mais uma colaboração para o site da Nat:

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Se um dia te disserem que nada na música é cíclico, não acredite. Eu não só não acredito como incluo aí alguns hábitos nesse bolo. Me lembro muito bem de passar minha adolescência enfurnado em lojas de discos da cidade, caçando novidades e raridades. Também me recordo de passar dias nas grandes redes norte-americanas (Tower, Virgin, HMV) quando viajava para o exterior, com o mesmo objetivo.

E aí o mundo mudou, a maneira de ouvir a música também e as lojas de discos foram sumindo do mercado graças à ascensão dos MP3s. Mas eis que, quando achávamos que a mídia física desapareceria da face da Terra, os audiófilos resolvem responder de maneira prática a uma questão que aflige o amante da boa música desde o final da década de 90: Qual dos dois é melhor? Um disco de vinil ou um CD? A resposta hoje é clara: o vinil.

Se, quando o CD surgiu, a indústria se apressou em enumerar suas vantagens, hoje está claro que tudo não passou de uma estratégia de mercado para que você trocasse toda sua coleção de vinis por uma nova, em CD. Hoje, não só está provado que a bolacha é melhor, como as lojas de discos no exterior estão ressurgindo dentro desta proposta. Num futuro bem próximo, as seções exclusivas para este formato serão ainda maiores e o CD ocupará um espaço menor. Década de 90, a gente se vê por aqui.

No Brasil, a moda começa a pegar. Quem frequenta as boas lojas do ramo já percebeu o aumento do espaço destinado aos vinis e até mesmo aquelas poucas sobreviventes das décadas passadas que estiveram ameaçadas durante muito tempo, agora, recuperaram sua força, graças ao aumento da procura pelo formato.

Para quem está em Belo Horizonte, fica o convite para comprovar esta teoria: que tal passear pela Galeria Praça 7, no centro da cidade? O último reduto das lojas de vinis da década de 80 e 90 voltou a ser referência e passagem obrigatória para audiófilos e neófitos que se preocupam bem mais com a música do que com o produto.

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Streaming

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Não é porque eu trabalho com isso, mas já há algum tempo eu venho apostando no streaming como futuro da indústria musical. É aquela velha lógica: se você pagasse uma quantia de, sei lá, 10 reais, para ouvir qualquer coisa a qualquer hora do dia, em qualquer device (desktop, notebook, smartphone, tablet), você pagaria? Grande parte dos consumidores de música já pagam e estes números só aumentam.

Hoje li duas matérias/posts sobre isto. O primeiro, da Tatiana Dias, do Link. O segundo, da Veja. Vale a pena ler e, principalmente, dar uma olhada nos números. Claro, ainda temos vários empecilhos para que isso se popularize. O principal deles é a nossa banda larga. E este talvez seja o mais complicado de ser resolvido. Ainda mais do que as negociações com gravadoras para licenciamento de conteúdo. Aguardemos os próximos capítulos.

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O futuro do mobile

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Durante o último fim de semana, estive na Costa do Sauípe, na Bahia, para a primeira Convenção da .Mobi, e em uma das palestras, este video foi apresentado. Achei foda. É uma espécie de exercício de futurologia acerca do mundo mobile. O mais incrível é imaginarmos que isso não é tão futurístico assim. Algumas coisas já estão disponíveis por aí. Assistam!

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Barulho

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Barulho. O significado desta palavra no dicionário passa por alguns nem tão agradáveis aos ouvidos assim, como “estrondo”, “grande bulha”, “tumulto”, “alarde”. Mas um em especial me chamou a atenção e tem bastante a ver com a performance de Lee Ranaldo ontem, no encerramento da versão belorizontina do Vivo Arte.mov: desordem.

Desde que a música conheceu o Sonic Youth e o mundo que girava em torno deles, palavras como barulho e desordem estiiveram relacionadas ao tipo de som que eles fazem. Descosntruindo, decodificando e reconstruindo o rock à sua maneira, o SY se tornou um dos nomes mais importantes deste universo. Nunca foram convencionais, nunca quiseram ser e sempre primaram pelo lado artístico, indo na contramão da indústria, ainda que esta por vezes tivesse se rendido a eles.

Por isso é fácil imaginar que seus integrantes se aventurem por outros tipos de manifestações artísticas, dentro e fora do viés musical, ainda que este esteja presente de uma forma ou de outra. Compositor, guitarrista (um dos 100 melhores da história, segundo a Rolling Stone), produtor, escritor e cantor, entre outras virtudes, Lee Ranaldo sempre me pareceu o mais “artista” da banda. Por “artista”, entenda-se exatamente uma soma disso tudo. Sem se preocupar com rótulos, mas tendo sempre em mente que o som que faz transita pelo barulho.

Difícil é tentar encontrar definições além disso para o som que Lee Ranaldo tirou de sua Fender no último domingo. Com o auxílio de baquetas, arcos de violino e pedais que emulavam distorções, ruídos e texturas, Lee construiu uma espécie de sinfonia do barulho, no melhor sentido possível. Se num primeiro momento, o som pareceu alto e feriu os ouvidos de muita gente, na medida em que o espectáculo avançou, o barulho fez mais sentido e se tornou palatável. Lee Ranaldo mostrou que seu trabalho dentro e fora do Sonic Youth prima pela exploração do ruído, levando isto às últimas consequências e produzindo sensações nas pessoas, antes mesmo de passar por qualquer tipo de compreensão do que está sendo feito.

“Sight Unseen” também se completa com os vídeos produzidos por Leah Singer, esposa e parceira de Ranaldo. Nos vídeos, situações cotidianas que vão desde uma criança caminhando em um gramado até um grupo de jovens em frente a uma praça. Além dos vídeos, a participação especial de um grupo de tambor da capital mineira, capitaneado por Lênis Rino, deu um tom especial à performance. Batuque e barulho se encontraram, como se os dois universos paralelos da série Fringe tivessem se chocado e formado uma só sinfonia. Fez sentido? Passada a estranheza inicial, fez todo o sentido do mundo. Assim como também fez sentido ver Lee Ranaldo ali, despido de qualquer amarra que possa ter no Sonic Youth, mostrando sua arte. Um verdadeiro privilégio e uma aula para quem quer se aventurar no mundo dos sons noisy.

Abaixo dois videos que consegui fazer. O som, por vezes, é inaudível, Mas, ah, faz todo o sentido ser, não é?

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Lee Ranaldo em BH

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É isso mesmo. O guitarrista do Sonic Youth vai participar de uma performance no próximo domingo, como parte da programação do Vivo Arte.mov. E de graça! Vamos ao release para vocês entenderem direitinho. Ah sim, fiquem espertos porque serão apenas 200 convites, distribuídos uma hora antes da apresentação!

LEE RANALDO MOSTRA SEU LADO B NO VIVO ARTE.MOV

A programação do Vivo arte.mov traz mais uma vez ao Brasil a vanguarda do audiovisual e os pensadores da cultura da mobilidade. Um dos destaques do programa é Lee Ranaldo, integrante do Sonic Youth, que mostra pela primeira vez no Brasil o projeto SIGHT UNSEEN, concebido em parceria Leah Singer, artista visual novaiorquina casada com o guitarrista. A instalação faz parte da exposição Desterritorialização da Cultura, que ocupa a galeria Arlinda Corrêa Lima do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, entre 25 e 29 de abril.

Desde que se mudou de Long Island para Manhattan no fim dos anos 1970, Lee sempre se interessou por música e artes visuais. “Eu acabei ficando mais com a guitarra do que com o pincel por muitos anos, mas todas as áreas foram fermentadas conjuntamente –cinema, literatura, artes visuais, artes sonoras. Eu me mantive trabalhando em todas elas, gosto de pensar que tudo dialoga entre si”, resume Ranaldo. Nos últimos anos ele pôde se dedicar mais a suas instalações e desenhos.

Ranaldo esteve no Brasil no ano passado com o Sonic Youth. Foi o último show da banda desde então. Sobre os rumores de que um dos mais cultuados grupos do rock independente mundial estaria chegando ao fim, Lee é categórico: “Nenhum de nós nunca disse que o Sonic Youth acabou. Estamos em um hiato, nada é definitivo”. O artista acaba de lançar seu álbum solo, “Between the Times and the Tides”, e não quer definir os rumos de sua carreira multifacetada, e sim, “seguir os impulsos”.

Apresentada pela primeira vez em Toronto, no festival Nuit Blanche, a obra que será trazida ao Vivo arte.mov explora a interação entre áudio e vídeo para propor uma observação mais atenciosa das pequenas cenas cotidianas. “Os sons e imagens são tirados de situações diárias. São os momentos que revelam beleza e transformam o comum em algo extraordinário, daí o nome Sight Unseen”, explica Leah Singer.
Belo Horizonte verá uma “versão estendida” do trabalho, exclusiva para o Vivo arte.mov, incluindo uma performance ao vivo no domingo, dia 29, às 20h.

O Vivo arte.mov é uma realização da Quod, Malab Produções e Diphusa, com o patrocínio da Vivo. Atividades do projeto já passaram esse ano por Recife, Rio de Janeiro e Goiânia e, depois da edição mineira, seguem para Curitiba e São Paulo.

PROGRAMAÇÃO

24 DE ABRIL – TERÇA-FEIRA
19h – Galeria Arlinda Corrêa: ABERTURA VIVO ARTE.MOV + SimBio (CONVIDADOS)

25 DE ABRIL – QUARTA-FEIRA
09h-22h – Galeria Arlinda Corrêa: EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10h-16h – Conservatório de Música da UFMG: WORKSHOP – ARTVERTISER
18h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA INFORMATIVA – SESIFF (SEOUL INTERNATIONAL EXTREME-SHORT IMAGE & FILM FESTIVAL)
19h – Cine Humberto Mauro: PALESTRA DE ABERTURA – TECNOLOGIAS DE COOPERAÇÃO – CONFERÊNCIA COM HOWARD RHEINGOLD
21h – Cine Humberto Mauro: Documentário Vivo arte.mov

26 DE ABRIL – QUINTA-FEIRA
09h-22h – Galeria Arlinda Corrêa: EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
14h-17h – Conservatório de Música da UFMG: WORKSHOP – URBAN REMIX
18h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA INFORMATIVA – FESTIVAL OBJECTIFS FILMS
19h – Cine Humberto Mauro: SEMINÁRIO – TECNOPANORAMAS COM ROBERT KRONENBURG, FERNANDO GIL (LAB DE GARAGEM) E CAIO VASSÃO
21h-22h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA COMPETITIVA

27 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA
09h-22h – Galeria Arlinda Corrêa: EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10h-16h – Conservatório de Música da UFMG: WORKSHOP ARTVERTISER
18h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA INFORMATIVA – FIELD NOTES FROM A MINE
19h – Cine Humberto Mauro: SEMINÁRIO – ETNOPANORAMAS COM MASSIMO CANEVACI E MICHAEL NITSCHE (URBAN REMIX)
21h-22h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA COMPETITIVA

28 DE ABRIL – SÁBADO
09h-21h – Galeria Arlinda Corrêa: EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
17h – Cine Humberto Mauro: BATE-PAPO ABERTO COM SELECIONADOS DA MOSTRA COMPETITIVA
18h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA INFORMATIVA – PRÊMIO VIDA + SESSÃO ESPECIAL: MÔNICA BELLO APRESENTA “PRÊMIO INTERNACIONAL VIDA, ARTE E VIDA ARTIFICIAL”
19h – Cine Humberto Mauro: SEMINÁRIO – MIDIAPANORAMAS COM SERGIO BASBAUM, ERICK FELINTO E ROBERTO MOREIRA
21h-22h – Cine Humberto Mauro: MOSTRA COMPETITIVA

29 DE ABRIL – DOMINGO
16h-21h- Galeria Arlinda Corrêa: EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
19h – Cine Humberto Mauro: ENTREGA DOS PRÊMIOS DA MOSTRA COMPETITIVA
20h – Galeria Genesco Murta: PERFORMANCE LEE RANALDO E LEAH SINGER – SIGHT UNSEEN

TODA PROGRAMAÇÃO É GRATUITA!

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