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Sobre o showbiz brasileiro – parte 1 (ingressos)

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Estive recentemente em New York onde tive a oportunidade de ir a 4 shows em três locais diferentes, como vocês puderam perceber nos posts aí embaixo. Mais do que simplesmente ir aos shows e curtir, sou um observador das estruturas, das facilidades e de como tudo funciona por lá. Talvez pelo fato de eu frequentar shows há muito tempo ou por ter sido um produtor, gosto de ver como os gringos tratam a venda de ingressos, o conforto, a disposição de assentos, som, bares, banheiros, etc etc etc etc.

A conclusão, sempre óbvia, é a de que estamos anos-luz atrás, ainda que por muitas vezes matérias do tipo “o Brasil entrou de vez na rota dos shows internacionais” exaltem o que de melhor tem acontecido aqui, como se já pertencessemos a esta rota de maneira defintiva. Não pertencemos. Os artistas vem aqui em busca dos dólares que são oferecidos para eles e poucos se preocupam com o conforto de quem está ali para assisti-los. Nem é culpa deles porque são raras as vezes em que isso chega a seus ouvidos. Um exemplo recente (e exceção) foi o do show gratuito do Franz Ferdinand, em São Paulo, que motivou Alex Kapranos a ir para o twitter pedir desculpas depois da confusão na entrada.

Mas queria discutir aqui alguns aspectos que me chamaram a atenção nesta viagem. Talvez eu nem os discuta apenas neste post e transforme isso numa série, porque o assunto é longo. Minha intenção com isso não é outra senão abrir os olhos do público para estes aspectos e, principalmente, dos produtores, que podem se mexer para oferecer um conforto maior para quem está pagando centenas de reais (às vezes, milhares) para ir a um evento.

Queria começar pela venda de ingressos. Já tinha utilizado vários sistemas de venda lá fora e não tinha percebido como eles são eficientes. Na prática, empresas como a Ticketmaster tem funcionado assim: você compra o ingresso no site e IMPRIME O INGRESSO EM CASA. Sim, pode parecer um detalhe bobo, mas não é. Imagine se as nossas empresas conseguissem resolver isso. Não haveria entrega pelo correio e o preço poderia ser um pouco mais barato. Além disso, lá fora eles não pedem confirmação de RG, de CPF, comprovante de residência, copia da conta de luz, de telefone, certidão autenticada em cartório e mais alguns outros documentos para adquirir um ingresso. É tudo muito fácil e rápido. Sim, a exigência aqui se dá por conta dos cambistas e da famigerada carteira de estudante. Sobre a segunda eu tenho uma proposta que vale a pena detalhar mais em outro momento. Sobre a primeira, uma ideia radical. Que tal legalizar isso, já?

A prática do cambismo existe desde que o mundo é mundo e o entretenimento começou a vender ingressos. Nada mais é do que a lei da oferta e procura. Se o evento é requisitado, os ingressos acabam rapidinho e os cambistas fazem a festa. E eu nem sou contra o cambismo, porque acho que uma pessoa tem o direito de decidir no dia se quer ir ou não em um evento. Nem todo mundo consegue se programar com seis, sete, oito meses ou um ano de antecedência para ir a um show. E se a pessoa está disposta a pagar um preço alto por gostar daquele artista, tudo bem, pague o que estiverem pedindo. Para quem viaja então, é uma mão na roda. Serviços como o Seatwave e o Stubhub, nada mais são do que sites de repasses de ingresso. Uma espécie de “comprei e não vou”. Obviamente os cambistas depositam lá suas esperanças de fazer um dinheiro antecipado, mas aí é que a inteligência entra em cena. O Stubhub, por exemplo, vai mapeando quais ingressos são vendidos e quais estão encalhados. E vai avisando por email a quem está vendendo. De três em três dias você recebe um email do tipo “olha, o ingresso que você colocou por X está sendo vendido por X-1. que tal você abaixar o seu?” Assim, eles vão tentando ajustar a oferta à procura. É um começo. Acho que ele poderia ainda evoluir, colocando limite nos preços. Afinal, se é um “comprei e não vou”, não é pra ganhar dinheiro em cima. É para os fãs que não conseguiram ingresso porque não compraram no dia de abertura das vendas ou porque só souberam naquele dia específico que poderão ir ao evento, conseguirem comparecer numa boa.

Mas aí você vai dizer: “imprimir em casa? Não funciona aqui. Todo mundo vai xerocar o ingresso.” Fácil resolver isso, não é? Basta implantar um leitor de código de barras que funcione e não valide um código duplicado ou falso. E aí vamos para outro “detalhe” do processo: a entrada. Fui a 3 locais diferentes (Terminal 5, Radio City Music Hall e Madison Square Garden). A entrada mais demorada deve ter sido a do Radio City, porque ainda fui retirar o ingresso na bilheteria (o sistema da Ticketmaster norte-americana não permite que você imprima o ingresso em casa, se sua compra é feita de fora do país) e tudo não deve ter demorado cinco minutos. Entre retirar o ingresso e entrar. Filas? Não existem. Revista na entrada? Nem pensar. E isso em um país sempre ameaçado por atentados terroristas e coisas do tipo.

Para terminar esta primeira parte da pensata, vai a principal observação de todas: nada vai mudar se nós não mudarmos. Pode parecer um pouco inocente, mas enquanto o brasileiro quiser tirar vantagem de tudo, falsificar o ingresso, a ficha da cerveja (quem não se lembra de Leo Ganem, o dono do Lollapalooza, dizendo que não poderia validar as fichas de seu evento de um dia para o outro porque as pessoas as falsificariam….), furar a fila para entrar e os promotores fizerem de tudo para dificultar a compra e o acesso aos eventos, nada vai mudar.

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Será que enchemos um Mineirão?

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Mais uma pensata que fiz para o ND

Elton John vem aí! Vc vai?

Nesta semana, depois de muita expectativa, o Estádio do Mineirão vai ser reaberto com um show do Jota Quest. Mas ainda não será desta vez que veremos o gramado lotado de fãs, já que por enquanto ele não pode ser pisado. Aparentemente, o primeiro teste deste porte acontecerá apenas em março, quando Elton John fizer o primeiro megashow programado para lá.

E o que ganha a cena musical de BH com esta inauguração? Se os calendários futebolísticos permitirem, teremos a possibilidade de ver atrações do porte de Paul McCartney e Pearl Jam, para ficar apenas em dois artistas cujas presenças aqui foram ventiladas, mas que em função da falta de espaços apropriados, acabaram indo para outras praças. Todo mundo sabe que aquele show de McCartney em Porto Alegre, em 2010, era pra ter sido em BH, não sabe?

Mas nem tudo devem ser flores neste ano de 2013. O mercado de shows internacionais no país já tem dado sinais de esgotamento e o fracasso das turnês de Madonna e Lady Gaga acendeu um sinal amarelo nos produtores. O que me leva à nossa querida Belo Horizonte e seu eterno complexo de vira-lata. Reclamamos que as atrações não passam por aqui, mas vamos até elas quando elas passam? Trocando em miúdos, não é um pouco demais um show de Elton John no Mineirão? Quantos ingressos serão disponibilizados 40, 50 mil? Existem 50 mil pessoas dispostas a pagar para ver Elton John por aqui? Vale lembrar que em São Paulo, o mesmo show está dimensionado para 15 mil pessoas.

Vamos pensar um pouco: quantas atrações realmente atrairiam 50 mil pessoas em Belo Horizonte? Vou excetuar os artistas popularescos, porque não é a minha praia. O que sobra? Rolling Stones, talvez, Paul McCartney. 50 mil pessoas é muita gente e mesmo em São Paulo, estes megashows não andam lá tão bem das pernas. O medo é que, apesar de agora possuirmos um espaço apropriado para isto, os shows fiquem vazios e percamos novamente a vez para outras praças.

Observemos.

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Carteira de estudante: ame-a ou deixe-a

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Mais uma colaboração no ND. Desta vez, polêmica:

CARTEIRA DE ESTUDANTE: AME-A OU DEIXE-A

Para que serve uma carteira de estudante? Pelo que me consta, o benefício foi criado para que os estudantes pudessem ter acesso à cultura, pois, supostamente, ela é fundamental para sua formação. E é mesmo. Mas os limites do que é cultura e do que não é andam misturados. Não por mim ou pelas pessoas de bom senso, mas por todos que regem e faturam em cima da Lei da Meia Entrada para Estudantes.

Posso soar radical, mas estou aqui mesmo para fazer você pensar. Acha justo que uma balada de música eletrônica tenha meia entrada? O mesmo benefício que é oferecido aos visitantes de um museu, como por exemplo, o Inhotim? Eu não.

Pelo fato de a lei ter sido estendida a qualquer evento artístico, as distorções foram aparecendo e – pior! – a fraude tomou conta dela. Qualquer pessoa faz uma carteira de estudante falsa em nosso país e adquire um ingresso através deste benefício. O resultado disso tudo é o encarecimento das entradas em geral. Para que o evento se torne viável, é preciso considerar o valor da meia-entrada e fazer com que os poucos coitados que ainda pagam o ingresso inteiro desembolsem o dobro do valor necessário para isto.

E aí vai outro tema para reflexão: será que realmente é necessária a meia-entrada para determinados eventos? Já que o brasileiro adora copiar modelos de fora, por que não se espelhar no que dá certo por lá? Festival de rock? Não existe benefício. No máximo um desconto para quem comprar antecipado. Museus e exposições? Aí sim, com várias modalidades para beneficiar estudantes, idosos, jornalistas, deficientes físicos, etc.

Por fim, uma lembrança: quando eu era estudante secundarista, não existia meia-entrada e eu deixei de ir a vários eventos porque não tinha dinheiro. E nem por isso (acho) me tornei uma pessoa pior. Afinal, todos nós nos conformamos em algum momento na vida que não é possível ter dinheiro para tudo, certo? A não ser que seu nome seja Eike.

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Bem-vindo de volta, vinil

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Mais uma colaboração para o site da Nat:

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Se um dia te disserem que nada na música é cíclico, não acredite. Eu não só não acredito como incluo aí alguns hábitos nesse bolo. Me lembro muito bem de passar minha adolescência enfurnado em lojas de discos da cidade, caçando novidades e raridades. Também me recordo de passar dias nas grandes redes norte-americanas (Tower, Virgin, HMV) quando viajava para o exterior, com o mesmo objetivo.

E aí o mundo mudou, a maneira de ouvir a música também e as lojas de discos foram sumindo do mercado graças à ascensão dos MP3s. Mas eis que, quando achávamos que a mídia física desapareceria da face da Terra, os audiófilos resolvem responder de maneira prática a uma questão que aflige o amante da boa música desde o final da década de 90: Qual dos dois é melhor? Um disco de vinil ou um CD? A resposta hoje é clara: o vinil.

Se, quando o CD surgiu, a indústria se apressou em enumerar suas vantagens, hoje está claro que tudo não passou de uma estratégia de mercado para que você trocasse toda sua coleção de vinis por uma nova, em CD. Hoje, não só está provado que a bolacha é melhor, como as lojas de discos no exterior estão ressurgindo dentro desta proposta. Num futuro bem próximo, as seções exclusivas para este formato serão ainda maiores e o CD ocupará um espaço menor. Década de 90, a gente se vê por aqui.

No Brasil, a moda começa a pegar. Quem frequenta as boas lojas do ramo já percebeu o aumento do espaço destinado aos vinis e até mesmo aquelas poucas sobreviventes das décadas passadas que estiveram ameaçadas durante muito tempo, agora, recuperaram sua força, graças ao aumento da procura pelo formato.

Para quem está em Belo Horizonte, fica o convite para comprovar esta teoria: que tal passear pela Galeria Praça 7, no centro da cidade? O último reduto das lojas de vinis da década de 80 e 90 voltou a ser referência e passagem obrigatória para audiófilos e neófitos que se preocupam bem mais com a música do que com o produto.

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Streaming

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Não é porque eu trabalho com isso, mas já há algum tempo eu venho apostando no streaming como futuro da indústria musical. É aquela velha lógica: se você pagasse uma quantia de, sei lá, 10 reais, para ouvir qualquer coisa a qualquer hora do dia, em qualquer device (desktop, notebook, smartphone, tablet), você pagaria? Grande parte dos consumidores de música já pagam e estes números só aumentam.

Hoje li duas matérias/posts sobre isto. O primeiro, da Tatiana Dias, do Link. O segundo, da Veja. Vale a pena ler e, principalmente, dar uma olhada nos números. Claro, ainda temos vários empecilhos para que isso se popularize. O principal deles é a nossa banda larga. E este talvez seja o mais complicado de ser resolvido. Ainda mais do que as negociações com gravadoras para licenciamento de conteúdo. Aguardemos os próximos capítulos.

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