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The Real Football Factories

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Há alguns dias estou querendo escrever sobre “The Real Football Factories”, a excepcional série que a ESPN vem exibindo, sobre o holliganismo. Incrível como uma série desta, no chamado país do futebol, não teve uma repercussão maior. Talvez porque seja uma série antiga (2006), mas com o tema é atemporal e eu não me lembro de isso ter sido exibido na tv, a atenção deveria ter sido maior.

Em poucas palavras, na série, o britânico Danny Dyer percorre o mundo atrás dos grandes confrontos de torcidas, no estádios de futebol e fora deles. São muitos os relatos e cenas de brigas, assassinatos, gritos de guerra, demonstrações de ódio, que frequentemente são confundidas com o sentimento oposto por quem participa delas. Através de depoimentos que beiram o inacreditável, vemos integrantes de torcidas organizadas justificarem a violência em nome da paixão que sentem pelo clube. O episódio da Turquia – o mais recente exibido – é particularmente impressionante porque retrata a rivalidade existente entre torcedores do Galatasaray e do Fenerbache de uma forma tão crua e próxima que por vezes chegamos a acreditar que aquilo não passa de uma ficção. Como pode a Turquia, um país tão belo e convidativo, ter duas torcidas tão violentas?

Confrontos que tem suas raízes em questões raciais, outros que surgem no futebol mas logo tomam outras proporções. Tudo isso é retratado nessa série bem oportuna para a discussão do assunto em um país que respira futebol, está prestes a sediar uma Copa do Mundo e constantemente repensa seu modelo, claramente desgastado.

Aliás, falando em modelo, já leram este texto?

Veja um trecho do episódio em que ele vem ao Brasil:

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Crossfire Hurricane

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Todo mundo que gosta dos Rolling Stones precisa assistir a “Crossfire Hurricane”, o novo documentário, dirigido por Brett Morgen, exibido pela HBO (deve chegar ao Brasil em breve). Se levarmos em consideração que é difícil encontrar alguém que não goste da banda, chuto aí que uns 90% da população mundial economicamente ativa (e os inativos também) devem assistir a este filme.

“Crossfire Hurricane” tem muitos acertos. O primeiro, e principal deles, é focar em um determinado período da história da banda. Assim, Morgen evita a perda de ritmo em seu filme e consegue detalhar mais este intervalo, que vai do início da carreira da banda até 1974, mais ou menos. O segundo acerto é colocar os depoimentos dos seis stones sobreviventes (os quatro que ainda fazem parte da banda + Mick Taylor e Bill Wyman) em off, sem mostrar as imagens. Assim, vemos os quase setentões narrando com uma precisão invejável os acontecimentos que fizeram parte da carreira da banda neste período.

E aí está o terceiro acerto do filme. Este intervalo periga ser o mais rico em número de acontecimentos, que vão de shows famosos (Altamont, Hyde Park) a prisões por drogas com uma enorme repercussão, passando, claro, pela morte de Brian Jones, a entrada e saída de Mick Taylor da banda (por medo de se afundar demais na heroína, como ele mesmo confessa) e a chegada de Ron Wood.

E tome imagens impressionantes de arquivo! Cenas até então inéditas de bastidores misturadas a outras de shows, apresentações na tevê e até mesmo algumas que já vimos em outros filmes (“Gimme Shelter” e “Cocksucker Blues”, principalmente), cujas inserções fazem todo o sentido no contexto final. Assim como fazem sentido as imagens de shows posteriores ao período retratado no filme. É como se Morgan estivesse dizendo “esta rica história que vocês acabaram de ver foi apenas o começo de tudo”.

E tome uma edição primorosa! Desde a sincronia das imagens com o que os seis stones falam às cenas de shows e apresentações, cujas emendas são imperceptíveis, tudo funciona no filme e é um deleite para quem gosta da carreira da banda. O bônus (involuntário?) é uma espécie de aula de história deste período, com destaque para a Swinging London do final da década de 60, o flower power, a era hippie e o fim de tudo isso, em Altamont. Tudo muito sutil, sem a preocupação de ser didático, e por isso mesmo de fácil absorção.

Não é o melhor filme dos Stones, mas é uma bela homenagem aos 50 anos da banda, focando em uma época sempre interessante e musicalmente instigante. Para os Stones e para o mundo.

TRAILER:

 

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Musa do Dia

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Gretchen Mol, a Gillian Darmody de Boardwalk Empire.

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As apostas da MTV Brasil

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Nesta semana acontece mais uma edição do VMB, o prêmio da MTV para os melhores do ano. Aliás, curioso: nesta semana acontece também a cerimônia de entrega do Prêmio Multishow. As duas premiações, dos dois mais importantes canais de música, acontecendo na mesma semana (proposital?). Uma delas, de orientação mais popular (Multishow). A outra, fazendo um outro recorte, apostando em atrações que, se não alcançam tanta popularidade entre o público consumidor, pelo menos falam a lingua de um determinado público, atualmente restrito a guetos.

Importante parar um pouco para pensar nisso. Fala-se muito que a MTV está perdida e que não se comunica mais com seu público. Não concordo. O que a MTV faz é apostar nestes guetos, que não frequentam as paradas de sucesso. Nada de sertanejo ou pagode. As apostas caem sobre o rap, o brega e até mesmo o rock, que já há algum tempo é um gênero de guetos.

Nas últimas semanas, muitas notícias circularam sobre uma possível venda da emissora. A MTV estaria operando no vermelho, os anunciantes teriam sumido e a audiência teria despencado. Se for isso mesmo, não é de se estranhar, mas também não devemos recriminar a emissora por isso. Ao apostar nos guetos, a direção sabia que estava correndo riscos. O que leva a uma outra análise bem interessante.

Quando a MTV surgiu, em 1981 nos Estados Unidos, era uma aposta ousada. Uma emissora apenas de videoclipes? Era algo impensável para aquele início de década, por si só muito estranho. O tempo passou e se encarregou de dar razão àquela aposta, transformando a marca MTV em sinônimo de qualidade. Se no início havia sido ousado apostar nos videoclipes, a partir do momento em que o mercado entendeu a necessidade disso, a ousadia passou para o lado dos artistas, que se esforçavam para entregar produtos de qualidade. Era um espaço de vanguarda para diretores e músicos, que podiam experimentar formatos e linguagens.

Perceberam a presença de duas palavrinhas mágicas? Ousadia e vanguarda. Ao apostar nos guetos, se afastando do público (numericamente falando), a MTV Brasil, de certa forma, nos diz que não quer se acomodar e prefere seguir estes dois conceitos, se alinhando com o espírito inicial de seus criadores. E olha que a MTV americana também optou por outros caminhos, apostando em reality shows e talk shows de gostos duvidosos.

Neste ano, fui convidado para integrar a Academia da MTV, que escolhe a maioria dos vencedores do VMB. Ao aceitar, foi como se eu dissesse “estou com vocês nesta”. Grande parte dos artistas indicados não faz parte do meu gosto pessoal, mas eu seria leviano se não aceitasse e dissesse não à vanguarda e à ousadia.

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Alison Pill NSFW

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A Maggie de “Newsroom” “acidentalmente” colocou uma foto sua com os peitos de fora no twitter. Impressionante como as pessoas erram esse tipo de coisa, não acham?

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