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O Vale Cultura vale pra que?

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Publicado no ND

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Ando ressabiado com esse tal Vale Cultura que o Governo está para implantar. Não há dúvidas da necessidade disso. Afinal, proporcionar cultura para trabalhadores que não têm acesso a ela por pura falta de grana é uma ótima iniciativa. Tudo bem que o benefício será estendido para trabalhadores que ganham até 5 salários mínimos (R$ 3110) e quem ganha isto não é, exatamente, um pobretão que não pode pagar por cultura……mas deixa pra lá.

O que anda me ressabiando e provocando uma discussão enorme é o conceito de cultura que está sendo colocado em prática. Acho ótimo tudo isso, até porque suscita uma reflexão em torno de nós mesmos, do que somos e de quais são nossos valores. Porque a primeira polêmica que surgiu foi: o Vale Cultura servirá para aquisição de revistas? De qualquer revista? Posso comprar Playboy ou Sexy com o Vale Cultura? A resposta do Governo foi “sim”. Os mais engraçadinhos se apressaram em fazer piada, dizendo que um ensaio de uma ex-BBB também é um produto cultural de alto valor para os adolescentes e fundamental para sua formação. Quem sou eu para negar?

E aí, a polêmica mais recente: o Vale Cultura também serve para TV a cabo? A resposta do Governo foi “sim”. Então, lá vamos nós ligar para a Net ou a Sky e contratar pacotes usando o benefício? E que canais poderei acessar nestes pacotes? “Combate”? “SexyHot”? E que operadora é essa que vai oferecer um pacote por R$ 50 mensais (não é este o valor do Vale Cultura)?

Disse e repito: é ótima a ideia do Vale Cultura, mas, como todo benefício estatal, dá margem a discussões e distorções. Particularmente, vou achar muito engraçado ver a molecada pegar o cartão do pai e ir até a banca de revistas mais próxima comprar a Playboy do mês.
- See more at: http://nataliadornellas.com.br/materia.php?rodrigo-james-e-o-polemico-vale-cultura-dornellas-bh-dornelas-cultura-rodrigo-james#sthash.IV6FFbFS.dpuf

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Os Melhores de 2012, pelo S&Y

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Todos os anos o Scream & Yell publica uma lista de melhores do ano feita por um verdadeiro quem-é-quem da crítica brasileira, com a adição de artistas e afins. É a lista mais importante do país e dá o tom do que a crítica brasileira tem feito e escutado.
Descobri, através de uma levantamento publicado pelo Mac, que colaboro com esta lista desde seu início, em 2001! E foi uma verdadeira viagem no tempo passear pelas listas passadas e ver como meu gosto mudou, como a música mudou e, principalmente, como o mundo mudou. Vale a pena fazer esta viagem aqui além, claro, de ler as listas completas de 2012 de todos os votantes. Tem muita coisa boa perdida nos votos

Os meus escolhidos deste ano? Entrego pra vocês aqui:

MELHOR DISCO NACIONAL
01. Nacional – Transmissor
02. Caravana Sereia Bloom – Céu
03. Tropical/Bacanal – Bonde do Rolê
04. Sintoniza Lá – B Negão e os Seletores de Frequência
05. 66 – O Terno

MELHOR DISCO INTERNACIONAL
01. Psychedelic Pill – Neil Young & Crazy Horse
02. Wrecking Ball – Bruce Springsteen
03. The Sound of the Life of the Mind – Ben Folds Five
04. Locked Down – Dr John
05. Blunderbuss – Jack White

MELHOR MÚSICA INTERNACIONAL
01. Driftin’ Back – Neil Young & Crazy Horse
02. Hold On – Alabama Shakes
03. Hollywood Forever Cemetery Sings – Father John Misty
04. Jack of All Trades – Bruce Springsteen
05. Breezeblocks – Alt-J

MELHOR SHOW INTERNACIONAL (NO BRASIL)
01. Crosby Stills & Nash (Chevrolet Hall/BH)
02. Arctic Monkeys (Lollapalooza)
03. Foo Fighters (Lollapalooza)
04. Morrissey (Chevrolet Hall/BH)
05. Primal Scream (HSBC/SP)

MELHOR SHOW INTERNACIONAL (NA GRINGA)
01. Jack White (Radio City Music Hall/NY)
02. Bruce Springsteen & the E Street Band (Santiago Bernabeu/Madrid)
03. Portishead (Poble Espanhol/Barcelona)
04. Suede (Primavera Sound/Porto)
05. Neil Young & Crazy Horse (Global Festival/NY)

MELHOR FILME NACIONAL
01. Prova de Artista
02. Heleno
03. Raul – O Inicio O Fim O Meio

MELHOR FILME INTERNACIONAL
01. Argo
02. Holy Motors
03. Intocáveis
04. A Separação
05. Looper

MELHOR SITE/BLOG (exceto o S&Y)
01. Facebook
02. Uma Confraria de Tolos – André Barcinski
03. Rock em Geral – Marcos Bragatto
04. André Forastieri
05. Trabalho Sujo – Alexandre Matias

MELHOR LIVRO
01. A Visita Cruel do Tempo – Jennifer Egan
02. How Music Works – David Byrne
03. Barba Ensopada de Sangue – Daniel Galera
04. Creme e Castigo – Walter Navarro

QUAL SHOW VOCÊ GOSTARIA DE VER NO BRASIL EM 2013
01. Jack White
02. Neil Young & Crazy Horse
03. Rolling Stones
04. Blur
05. Portishead

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David Bowie acima do bem e do mal

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Para o ND

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A última semana foi dominada por um ser humano: David Bowie. Recluso há quase dez anos e alvo de boatos de que estaria à beira da morte, Bowie surpreendeu o mundo (mais uma vez) e lançou uma nova canção, além de anunciar um novo álbum para o início de março. E as discussões giraram em torno de uma palavrinha mágica: relevância. Bowie ainda é relevante? O que ele tem a oferecer para o mundo de hoje, também conhecido como Facebook World?

Mas será que a pergunta que tem que ser feita é esta? Porque a meu ver a relevância aqui pouco importa. Às vezes, nos preocupamos muito com questões do tipo e nos esquecemos da música. Durante a última segunda-feira, o que se viu foi um punhado de “gostei” e “não gostei” acerca de “Where Are We Now?”, a tal nova canção. “Não chega aos pés de ‘Changes’”, “O trabalho fundamental de Bowie foi feito há 40 anos”, “Ele não lança nada relevante há 20 anos” foi o que mais se ouviu/leu, como se as pessoas estivessem se esforçando para destruir o novo trabalho. Foi quase proibitivo gostar da nova música em determinado momento nesta semana.

Mas aí, passadas as primeiras 24 horas e com a audição mais livre, chega-se à conclusão óbvia: é uma bela canção. Pra que comparar? É David Bowie, um dos artistas mais relevantes do nosso século, e do anterior, lançando uma nova canção que o coloca novamente no mundo pop. É melhor do que esta ou aquela? Não importa. Porque não se deixar levar? Relevante ele sempre será, ainda que o uso desta palavra tenha se banalizado nos últimos tempos.

A verdadeira moral da história é: uma música não tem que ser relevante. É preciso apenas ser bela. E é bem mais difícil ser belo do que relevante.

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Golden Globes

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Você sabe que quem ganhou, quem perdeu….isso nem importa, né?

O que importa está aqui, devidamente roubado do Scream & Yell.

Com vocês, uma seleção de gifs animados do evento.

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Carteira de estudante: ame-a ou deixe-a

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Mais uma colaboração no ND. Desta vez, polêmica:

CARTEIRA DE ESTUDANTE: AME-A OU DEIXE-A

Para que serve uma carteira de estudante? Pelo que me consta, o benefício foi criado para que os estudantes pudessem ter acesso à cultura, pois, supostamente, ela é fundamental para sua formação. E é mesmo. Mas os limites do que é cultura e do que não é andam misturados. Não por mim ou pelas pessoas de bom senso, mas por todos que regem e faturam em cima da Lei da Meia Entrada para Estudantes.

Posso soar radical, mas estou aqui mesmo para fazer você pensar. Acha justo que uma balada de música eletrônica tenha meia entrada? O mesmo benefício que é oferecido aos visitantes de um museu, como por exemplo, o Inhotim? Eu não.

Pelo fato de a lei ter sido estendida a qualquer evento artístico, as distorções foram aparecendo e – pior! – a fraude tomou conta dela. Qualquer pessoa faz uma carteira de estudante falsa em nosso país e adquire um ingresso através deste benefício. O resultado disso tudo é o encarecimento das entradas em geral. Para que o evento se torne viável, é preciso considerar o valor da meia-entrada e fazer com que os poucos coitados que ainda pagam o ingresso inteiro desembolsem o dobro do valor necessário para isto.

E aí vai outro tema para reflexão: será que realmente é necessária a meia-entrada para determinados eventos? Já que o brasileiro adora copiar modelos de fora, por que não se espelhar no que dá certo por lá? Festival de rock? Não existe benefício. No máximo um desconto para quem comprar antecipado. Museus e exposições? Aí sim, com várias modalidades para beneficiar estudantes, idosos, jornalistas, deficientes físicos, etc.

Por fim, uma lembrança: quando eu era estudante secundarista, não existia meia-entrada e eu deixei de ir a vários eventos porque não tinha dinheiro. E nem por isso (acho) me tornei uma pessoa pior. Afinal, todos nós nos conformamos em algum momento na vida que não é possível ter dinheiro para tudo, certo? A não ser que seu nome seja Eike.

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