Neste sábado acontece mais uma edição do Planeta Brasil, aqui em BH. Curioso como o mundo pop é cíclico. Conversando com o pessoal da Sleepwalkers, produtora do evento, chegamos à conclusão que eles estão ocupando o espaço que um dia foi do Pop Rock Brasil, promovido durante mais de 20 anos pela Rádio 98FM.
Aí, o pop rock entrou em baixa, o mercado também, e o Pop Rock Brasil acabou. Alguns anos depois, veio este Planeta Brasil, com uma proposta mais moderna e mais sintonizada com nossos tempos, porém com uma viés que passa pela surf music, ou música de praia para diferenciar de Dick Dale e do Campeonato Mineiro de Surf, da Obra. Um acerto, já que existe um público enorme para este segmento e que passa, às vezes, longe da grande mídia.
Este ano tive o prazer de participar da curadoria do Palco Independente ao lado de Sérgio Martins, Marcelo Costa e Carlos Eduardo Miranda e, à parte o processo de escolha, achei o lineup final dele bem legal. Além dele, confesso que estou curioso para ver os Racionais. Não me lembro qual a última vez deles em BH, ams tenho certeza que eles nunca tocaram (aqui) em um evento deste porte.
Vai ser legal. Vamos lá? Confiram abaixo o lineup.
Um dia eu ainda vou entender como se coloca 5 horas de video no Youtube. Enquanto isso, vale a pena assistir a TODO o Pitchfork Music Festival. Mas precisa ter muito tempo livre…. Quem tiver, se joga!
No último sábado, ainda em New York, fui ao tal Global Festival, no Central Park. Um evento beneficente, voltado para várias causas relacionadas à máxima “fazer um mundo melhor”. O fim da fome no mundo e a erradicação da pólio estavam entre elas. O evento, uma espécie de “Criança Esperança do Primeiro Mundo”, contou simplesmente com shows de K’Naan, Band of Horses, Black Keys, Foo Fighters e Neil Young & Crazy Horse. Só isso. É bem provável que você tenha assistido a um trecho, pelo menos, já que ele foi transmitido ao vivo pelo Multishow. Mas vamos a algumas impressões de quem estava lá.
Em primeiro lugar, a organização. O Global Festival não foi um evento organizado com um ano de antecedência, como os festivais que rolam costumeiramente lá pelas bandas do Norte. Apenas foi anunciado alguns meses antes, aproveitando a data em que os principais lideres do mundo estariam en New York para a Assembléia Geral da ONU e as atenções do mundo voltadas para o que acontecia na cidade. Nem por isso a organização foi mequetrefe. Tudo funcionou às mil maravilhas: estrutura de alimentação, entrada, saída, banheiros, segurança. Uma expertise em produção invejável, de deixar até mesmo produtores acostumados a isto com o queixo caído. Claro que houve filas no banheiro. Claro que houve filas nas barracas de alimentação, mas nada fora do normal para um evento com 60 mil pessoas.
E aí, o grande ponto fraco do Global Festival: o som. Não sei ao certo se por algum tipo de limitação do local, mas o fato é que o som esteve o tempo todo muito baixo e, pelo menos nos shows de Black Keys e Foo Fighters, embolado. Para quem gosta de reclamar de som no Brasil, principalmente da acústica de nossas casas de shows, saibam que lá fora eles também cometem este tipo de erro.
Por fim, os shows. Não consegui chegar a tempo de ver K’naan e apenas ouvi o Band of Horses de fora do parque (o que ouvi, me agradou). Consegui chegar apenas na hora em que o Black Keys entrava no palco. E se o som, não ajudou, pelo menos a banda não desapontou. Fazendo um set curto, mas incluindo nele pérolas como “Little Black Submarines”, Dan Auerbach e Pat Carney tocaram como se estivessem dando um recado ao público: “Somos quase uma banda de arena, gente! Falta muito pouco!” Periga roubarem o show no Lollapalooza 2013, no Brasil.
Na sequência, Foo Fighters. Dave Grohl e sua turma estavam fazendo o último show da longa turnê de divulgação do ótimo “Wasting Light” e, dado o adiantado da hora, foram obrigados a encurtar o set, e por isso perderam na comparação com os demais, principalmente com o show que fizeram no Lolla Brasil deste ano. Mas um show do Foo Fighters, ainda assim, é garantia de bons momentos. Foram de “Times Like These” a “Everlong”, passando por “My Hero”, “Arlandria” (gosto cada vez mais desta aí), “Best Of You” e “Walk”. Não dá pra dizer que foi um show ruim, mas ficou um gosto de que poderia ter sido melhor.
No meio do show, Dave Grohl disse que poderia ficar tocando ali por horas, mas que preferia ver Neil Young tocar. Eu também, Dave. Até porque não é todo dia que se tem o privilégio de ver ao vivo uma das lendas do rock, acompanhado de uma das mais sensacionais bandas de apoio da história. E se você leu o texto que eu fiz sobre o show de Jack White aí embaixo, classificando-o como “torto”, saiba que foi Neil Young quem inventou o conceito. Nada num show de Neil Young & Crazy Horse é convencional e dentro de algum padrão, a começar pela longa duração das canções, até os longos improvisos em que eles parecem sair de qualquer plano terrestre. Difícil destacar alguma canção num show que teve “Love and Only Love”, “Powderfinger” e “The Needle and the Damage Done”, mas a épica “Walk Like a Giant” e seus quase 17 minutos acabou sendo o ponto alto da apresentação, como uma forma de mostrar ao público o que vai ser seu próximo disco, “Psychdelic Pill”. O encerramento não poderia ser de outra forma: “Rockin In The Free World” com Dan Auerbach e Dave Grohl reforçando o time de guitarristas. A brincadeira, ao final do show, era tentar lembrar quem havia tocado antes de Neil Young, tamanho foi o impacto da apresentação. Avassalador talvez seja o adjetivo mais singelo para descrever.
e um videozinho que eu fiz de “Lonely Boy”, do Black Keys:
Começando a segunda bem lenta, com XX ao vivo no Bestival, sexta-feira passada. Na íntegra.
Saiu o lineup completo e está aqui. Nem é tão ruim como todo mundo alardeou, nem tão histórico quanto outras edições. Como já tive oportunidade de ver grande parte das atrações do evento, vamos aos meus palpites.
KINGS OF LEON – Se for igual ao show que eles fizeram na primeira edição do SWU, vai ser muito chato. Banda que faz shows frios e deixa até mesmo quem gostava deles (como eu) com a pulga atrás da orelha. Nunca mais ouvi KOL depois daquele show.
GOSSIP – Periga ser um dos melhores shows do festival, se não o melhor. Beth Ditto é uma senhora performer e levanta o público, se jogando pelos quatro cantos do palco. Você pode até não gostar da música da banda, mas não dá pra passar imune a uma performance deles.
MACCABEES – Típica banda inglesa que só os ingleses gostam. Deve passar em branco no festival.
BEST COAST – Bethany Cosentino é musa. Sua banda alterna bons e maus momentos. O show que vi deles no Bonnaroo 2011 foi isso: alternou momentos. Mas é válido por ser uma das bandas do momento, no auge…..aquele papo todo.
KASABIAN – Sinceramente, não dá. Tem dois hitzinhos e tal, mas quem estava naquela edição do mesmo Planeta Terra em que eles tocaram, se lembra de como o show foi looooooooongo. E ele deve ter durado apenas uma hora…..
THE DRUMS – Banda de estúdio. Consegui suportar apenas duas músicas do show que eu vi em um festival, não me lembro qual. Achei melhor usar aquele momento para lanchar.
SUEDE – Aí sim. Eu não gostava da banda mas tive a oportunidade de assisti-los agora em junho. E foi simplesmente espetacular. Vale a ida ao festival. Aliás, valeria uma ida a outra cidade (se você mora fora de SP) só para vê-los. Impressionante como a veterana banda dá de 1000 em muita banda de moleque por aí em tudo: punch, musicalidade, técnica e presença de palco.
AZAELIA BANKS, GARBAGE E LITTLE BOOTS – Não vi. Mas quem viveu a década de 90 deve estar com a curiosidade aguçada para ver Shirley Manson de perto, ainda que mais velha.
OS NACIONAIS – Vou me abster porque eu acho que um festival destes é pra ver banda gringa. Mas desejo ótimos shows para Mallu, Banda Uó e Madrid.
E então? Vamos?