Criolo passou por Belo Horizonte na última sexta-feira, num show concorridíssimo. Foi o primeiro show dele pago na capital e ele mostrou que é bom de público. Muita gente duvidou. Eu inclusive.
Várias coisas me impressionaram. A principal delas, o público. Brinquei que foi o maior encontro “hipster-mano-tilelê” da história belorizontina mas tem o seu fundo de verdade. O público do Criolo passa por aí mesmo. Mistura raças, castas e crenças e, acreditem, fica tudo muito homogêneo.
Outra coisa que me impressionou foi a entrega. Não só do artista em cima do palco, como do público, devoto e fiel. Quase uma comunhão. Criolo é um ótimo frontman, um rapper (?) competente e já criou, em torno de si, uma espécie de seita, com seguidores que fazem um espetáculo à parte, sentindo as canções tanto quanto ele.
O calor do Music Hall incomodou bastante, mas também ajudou. Tornou o espetáculo ainda mais quente e pessoal do que ele teria sido se um ar-condicionado potente estivesse por lá funcionando. Sobre o show, nada além do que já foi dito por aí: centrado no repertório de “Nó na Orelha”, com direito à referência a “Cálice”, de Chico Buarque, dançante, reflexivo e empolgante. Tudo na medida certa.
Finalmente, uma constatação: que bom que o hip-hop brasileiro entendeu que é bem mais produtivo dialogar com os outros ritmos, genuinamente brasileiros. Criolo passeia literamente do hip-hop ao samba, sem esquecer da canção tradicional (“Não Existe Amor em SP” poderia tranquilamente ter sido escrita por um Caetano Veloso. Não à toa, Caetano a cantou com Criolo no último VMB da MTV) e – pasmem! – o funk carioca.
Pra vcs sentirem, vai aí um videozinho feito pelo pessoal do I Love Bubble: