Foram quase três horas de show, com direito a um intervalo. Músicas novas, cover de Bob Dylan, um set acústico absurdamente maravilhoso e hits, muitos hits. “Our House”, “Almost Cut My hair”, “Bluebird”, “Marrakesh Express”, “For What it’s Worth”…..
Antes de dizer que foi o show do ano, uma reflexão que passa bastante por comportamento de público. Em primeiro lugar, o Chevrolet Hall não é de forma alguma o local apropriado para este tipo de show, que se daria muito bem em um teatro. Mas já que a demanda é grande, então ok, dá pra aceitar que ele aconteça no ginásio. Mas que haja respeito à música e aos artistas. Durante o show inteiro, a maior parte do público que lá estava, se preocupava apenas em conversar em voz alta e beber. Não quero dar lição de como se assistir a um show, mas foi nítido que muita gente procurou outros locais no ginásio para tentar ouvir o show sem o zumzumzum do “colega” ao lado. Durante o set acústico, isso ficou ainda mais evidente e eu vi amigos que estavam ali pela música decepcionados com isto.
Decepção esta que passou longe do show propriamente dito. Se o público não sabe se comportar, pelo menos Crosby Stills & Nash sabem direitinho como é fazer um show de quase três horas e segurar pelo menos a parcela do público que estava lá para vê-los. Quando vi o trio em 2009 abrindo para Tom Petty & the Heartbreakers, em Atlanta, fiquei com uma impressão que reproduzo aqui: Graham Nash é o maestro da banda, Stephen Stills é o guitar hero (e que guitarrista!) e David Crosby é a voz. Não é exatamente isto, mas se encararmos assim, fica mais fácil entender estes últimos 40 anos da história do rock ali em cima do palco. Ah sim, não apenas pelo fato de este show ter sido maior (o outro durou apenas uma hora), mas vê-los poder tocar e cantar tudo que querem é um privilégio.
Destacar algum momento seria leviano. Mas o video que está abaixo é de minha música predileta e, como vocês poderão notar, rolou um certo momento de comunhão banda/público. Coisa que só os grandes conseguem. Um poder que só as grandes canções tem.
Curioso que antes e depois do show, no twitter, eu via meus amigos falando sobre o Sonar SP (que é um grande evento, diga-se de passagem). É, my friend, the times they are a-changing. Não tive a menor vontade de estar por lá. Mas se me perguntarem se eu quero ver CS&N novamente, eu vou correndo.
Cara, sao cada vez mais frequentes as reclamações, tanto do público quanto dos artistas (vide video de Jeff Tweedy dando bronca na galera durante um show) a respeito da falta de educacao do público. Nem o alto preço dos ingressos faz com que a galera se comporte melhor. São sinais dos tempos ou a coisa sempre aconteceu e só agora estamos dando visibilidade ao problema? P.S.: acho a atitude do Jeff Tweedy show de bola!
Acho que isso tudo tem a ver com a maneira com que as pessoas se relacionam com a música. Não ouvimos mais. Consumimos música.
Lendo seu texto me vieram à tona vários outros shows que eu tive a mesma sensação. Eu estava no Sónar, e durante o show do Kraftwerk fiquei perplexo, para não dizer puto, com o comportamento de grande parte do público, até porque não esperava presenciar isso num festival, digamos, mais ‘maduro’… enfim, uma inquietação infernal, as pessoas sempre se movimentando, distribuindo trombadas e empurrões a rodo (sem ao menos pedir desculpa) e muita, muita conversa. E olha que esta não foi a pior situação do tipo que passei por essas terras… lembro do Tim Festival 2007, que em minha opinião foi um dos piores festivais que já fui (ressalvo a edição paulista), já não bastasse o péssimo lugar para shows, ainda contou com uma péssima infra-estrutura e logística, mas boa parte foi por causa do público presente. Este ano fui conferir a versão chilena do Lollapalooza e o grande diferencial foi o público, vibrando, curtindo, respeitando o espaço de cada um e principalmente do artista e de quem estava assistindo… e olha que estamos falando de uma país aqui ao lado. Mas como você disse e acredito muito, passou a ser a forma de relacionamento com a música.