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Optimus Primavera Sound: o veredito

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Onde está Wally?

 

Ainda bem que deixei para escrever sobre o Optimus Primavera Sound depois de ele ter acabado, porque foram tantas as sensações nestes últimos corridos quatro dias, que só mesmo chegando agora à noite no hotel e colocando tudo na mesa pra poder entender o que se passou.

Uma sensação já havia ficado depois da noite de ontem: O OPS foi o melhor lugar do mundo para se estar na quinta, na sexta e hoje. E o pior no sábado, por conta do clima. Enquanto na quinta e na sexta, o sol fez a alegria da galera, ainda que o clima estivesse um pouco frio, no sábado a chuva quase pos tudo a perder. Quase mesmo, já que um dos palcos alagou e o show do Death Cab for Cutie teve que ser cancelado. Em compensação, jamais estive em um festival tão gentil, tranquilo, com pessoas de muitas nacionalidades convivendo pacificamente. Pra completar, quantas vezes você já foi a um festival com um stand de vinhos diretos de uma vinícola portuguesa?

E o domingo….ah, eu conto depois.

Outra coisa legal de ser notada, se é que você ainda não reparou: um festival, na verdade, são muitos. Meu intuito sempre foi assistir a poucos e bons shows, portanto não vi a quantidade que amigos assistiram, principalmente nos dois palcos indies (ATP e Club). Fiz isso porque eu queria curtir mais e correr menos. Ver os shows por inteiro, sem preocupar se aquele outro estava começando na tenda X ou Y. E o fato de os dois palcos principais serem lado-a-lado facilitou bastante.

Então vamos lá.

No primeiro dia, bum, uma pancada chamada Suede tomou conta de mim. Nunca curti a banda e cheguei até mesmo a detestá-la em determinado momento da vida. Mas nada como um puta show para me mudar de ideia. Um show sem respiros e cheio de adversidades que foram tratadas pela banda como se não fossem nada. Desde o cabo da guitarra quebrado até a iluminação do palco, que simplesmente sumiu em determinado momento. Para Brett Anderson e sua turma, isso não importava. As grandes bandas são assim. E que guitarras, que timbres, que solo, que presença de palco….aliás, porque eu nunca gostei deles?

Aí, o segundo dia. Começou com o Rufus Wainwright vestido de sei lá o que, fazendo um belíssimo show, comandando uma banda de oito músicos. Rufus cantou, dançou, contou piadas, falou sobre os surfistas de Porto e mandou ver nos novos e antigos hits, com destaque para “One Man Guy”, e “14th Street”. Ao final, um presente mandado por ele para o público de Porto, “porque vocês estão merecendo”: sua versão de “Hallelujah”, de Leonard Cohen, rezada pela público em sintonia com ele.

Na sequência, ursinhos, pirotecnia, guitarras com bojos, meninas vestidas de meninas safadas. É o Flaming Lips chegando na área! Não me entendam mal, o show não foi ruim. Mas como vi os Lips no ano passado e a pirotecnia é a mesma, achei melhor ver o final de longe, já me preparando para o que viria depois. Mas de longe deu pra cantar “Yoshimi”, “Yeah Yeah Yeah Song”, “Race for te Prize” e “Do You Realize”. O show que vi no ano passado, no cemitério em Los Angeles, foi bem melhor.

E aí, bum, outra pancada. Era o quarto show que eu via da banda e achava que eles não poderiam me surpreender. Mas olha só o que eles enfileiraram no setlist:
Art of Almost, I Might, At Least That’s What You Said, Spiders e Impossible Germany. Isso foi só pra começar! E ainda teve Radio Cure, Via Chicago (sensacional!), Jesus Etc, I’m the Man….. O Wilco consegue ser melhor a cada vez que assisto. E Nels Cline, meu deus, ele já passou da categoria de monstro. O que ele fez no solo de Impossible Germany (sob o olhar admirado de Jeff Tweedy) não se faz! E o que foi a destruição de Via Chicago? Impecável, só pra começar a conversa. Esse é o Wilco. E eu concordo com quem disse que Impossible Germany tem que ser tombada pelo patrimônio cultural da humanidade.

Restou tempo pra algo mais? Um pedaço do Beach House, mas não dava pra tirar o Wilco da cabeça. Fui embora.

Aí o sábado começou mais cedo, com duas horas de chuva, frio e fila para retirar os ingressos para o domingo (já já eu falo disso). E quase que só deu tempo de tomar uma água e correr para o show do Spiritualized. Sério, só a abertura do show, com “Hey Jane” já teria valido. Mas Jason Pierce esquentou o ambiente com “Oh Baby”, “Soul On Fire”, “Ladies and Gentlemen…” e “Come Together”. Que banda!

Na sequência, a baixa do festival. A chuva cancelou o show do Death Cab For Cutie pois o palco estava alagado. Resolvi correr para pegar o segundo tempo de Alemanha x Portugal num telão instalado na praça de alimentação do festival. Saí a tempo de ver o showzaço do Afghan Whigs. Por incrível que pareça, um dos mais tranquilos de todo o festival. Não sei se pela chuva ou pelo fato de a banda ter ficado parada durante muito tempo e não ser referência para muita gente. Mas dava pra passear por onde quisesse no meio do público e curtir o show do seu jeito. Confesso que as tardes que passei ouvindo “Gentlemen” e outros clássicos da banda na década de 90 vieram à cabeça. Em determinado momento, pensei ter enxugado uma gota de chuva que caía do meu olho, mas era outra coisa. Abortei os demais shows da noite porque precisava não estava gripado para o dia seguinte…

“In The Aeroplane Over the Sea”, o disco, me foi aplicado, acho, pelo Luiz Cesar Pimentel, broder broder mesmo. “In The Aeroplane Over the Sea”, a música, me faz chorar todas as vezes em que ouço. Nunca imaginei que fosse vê-la ao vivo.

Mas antes…

O Olivia Tremor Control é do mesmo selo do Neutral Milk Hotel, o Elephant 6. Não sou indie a ponto de conhecer tudo deles e até confesso aqui minha ignorância em relação à maioria do repertório. Mas que show! Saca um show quadrado? Todo quebrado, sem pausa para respiros e que te surpreende a cada andamento? Esse é o show do OTC. E eu já havia visto músicos revezarem de instrumentos em shows, mas na mesma música foi a primeira vez! E sem deixar o acorde se perder! Paguei pau e prometo ouvir a discografia completa dos caras quando voltar à realidade.

Sim, porque ainda devo estar em algum nirvana atingido durante o show de Jeff Mangum. Imaginem a situação. Um semi-deus da música para muitos, recluso, e que resolve agora fazer shows depois de sei lá quantos anos. E imaginem esse cara tocando na Casa da Música, um dos melhores lugares pra se ouvir música no mundo! O clima não podia ser outro: reverência ao mestre, só pra começar. Jeff Mangum chegou, sentou em sua cadeira e simplesmente pediu para o público chegar mais perto, mandando até mesmo alguns subirem ao palco para ficarem do seu lado. O que pode ser mais cool do que isso? Talvez sua voz e seu dedilhar no violão, que não só não se perderam com o tempo, como ficaram ainda mais límpidos e emocionantes. Os grandes momentos? Muitos! “Two Headed Boy”, “King of Carrot Flowers”, “Naomi” (linda!) e, claro, a música que me fez chorar, “In the Aeroplane Over the Sea”. O encerramento, com “O Comely” foi digno de um Deus. Mais do que um semi, eu diria.

Claro que eu vi mais uns pedaços de shows aqui e acolá, mas o grosso é este. No saldo, digo que o Optimus Primavera Sound passou com louvor no teste (era a primeira edição) apesar dos acidentes de percursos. Sobre Porto e o local do evento (Parque da Cidade), eu falo depois. Agora é hora de ir dormir porque amanhã a viagem continua!

E depois eu coloco mais fotos e videos.

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