O amigo Luiz Cesar Pimentel escreveu um texto falando do fim da música, já que ninguém hoje parece se preocupar com legado. Curioso ele escrever isto, porque é um dos assuntos que mais me interessam e incomodam hoje.
Por vezes tenho me achado velho. Me lembro quando um amigo disse há muitos anos que um crítico musical deveria se aposentar aos 40 anos porque não tem mais paciência para novidades. Concordo em parte. Deixei há muito meu lado novidadeiro e curioso por tudo que é despejado no mercado para trás. Hoje me preocupo mais em ouvir poucas coisas, com mais parcimônia e cuidado. Mas ao mesmo tempo fico pensando que não tenho mais paciência para muitas coisas novas e, por isso, posso estar me transformando em um destes chatos que ouvem sempre as mesmas coisas.
Não tive paciência para ficar pulando de galho em galho no Optimus Primavera Sound, agora em junho. E olha que o festival oferecia muita coisa que aguçava minha curiosidade. Mas preferi ver poucos shows. Os headliners, vamos dizer assim. Aqueles que atraem a maioria do público que vai a um festival destes. Serei eu mais um nesta multidão? Mas porque não fui assistir às outras atrações, nos palcos menores? Velhice? Falta de curiosidade?
Nem um, nem outro. Hoje posso dizer que é um pouco o que o Luiz diz no texto. Preferi ver atrações que possuem carreiras sólidas, consolidadas, do que apostar em algo que amanhã pode não fazer diferença. Hoje e sempre a efemeridade faz parte da música pop, mas uma consistênciazinha de vez em quando não faz mal a ninguém. E coloco aqui a mesma dúvida do Luiz, sem muita convicção, como ele: será possível mesmo que as pessoas não mais se preocupem com legado? Ou ainda, será que o legado deixado pelos artistas de hoje seja exatamente a efemeridade?
Não que não existam artistas que se preocupam com isto, da maneira antiga, mas a impressão que fica é cada vez mais “a oferta suplanta a procura” e “ninguém se prende a nada”. Daí a volta aos mesmos artistas de sempre, em quem sempre se pode confiar. Quanto mais oferta, artistas novos, discos sendo lançados, mais a tendência será a de voltar ao passado e se prender nos mesmos. Um certo comodismo? Preguiça em ficar apostando no incerto 90% do tempo quando o certo está ali ao seu lado, esperando mais uma audição? Tudo isso e nada disso, ao mesmo tempo. Volto ao assunto depois.