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As apostas da MTV Brasil

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Nesta semana acontece mais uma edição do VMB, o prêmio da MTV para os melhores do ano. Aliás, curioso: nesta semana acontece também a cerimônia de entrega do Prêmio Multishow. As duas premiações, dos dois mais importantes canais de música, acontecendo na mesma semana (proposital?). Uma delas, de orientação mais popular (Multishow). A outra, fazendo um outro recorte, apostando em atrações que, se não alcançam tanta popularidade entre o público consumidor, pelo menos falam a lingua de um determinado público, atualmente restrito a guetos.

Importante parar um pouco para pensar nisso. Fala-se muito que a MTV está perdida e que não se comunica mais com seu público. Não concordo. O que a MTV faz é apostar nestes guetos, que não frequentam as paradas de sucesso. Nada de sertanejo ou pagode. As apostas caem sobre o rap, o brega e até mesmo o rock, que já há algum tempo é um gênero de guetos.

Nas últimas semanas, muitas notícias circularam sobre uma possível venda da emissora. A MTV estaria operando no vermelho, os anunciantes teriam sumido e a audiência teria despencado. Se for isso mesmo, não é de se estranhar, mas também não devemos recriminar a emissora por isso. Ao apostar nos guetos, a direção sabia que estava correndo riscos. O que leva a uma outra análise bem interessante.

Quando a MTV surgiu, em 1981 nos Estados Unidos, era uma aposta ousada. Uma emissora apenas de videoclipes? Era algo impensável para aquele início de década, por si só muito estranho. O tempo passou e se encarregou de dar razão àquela aposta, transformando a marca MTV em sinônimo de qualidade. Se no início havia sido ousado apostar nos videoclipes, a partir do momento em que o mercado entendeu a necessidade disso, a ousadia passou para o lado dos artistas, que se esforçavam para entregar produtos de qualidade. Era um espaço de vanguarda para diretores e músicos, que podiam experimentar formatos e linguagens.

Perceberam a presença de duas palavrinhas mágicas? Ousadia e vanguarda. Ao apostar nos guetos, se afastando do público (numericamente falando), a MTV Brasil, de certa forma, nos diz que não quer se acomodar e prefere seguir estes dois conceitos, se alinhando com o espírito inicial de seus criadores. E olha que a MTV americana também optou por outros caminhos, apostando em reality shows e talk shows de gostos duvidosos.

Neste ano, fui convidado para integrar a Academia da MTV, que escolhe a maioria dos vencedores do VMB. Ao aceitar, foi como se eu dissesse “estou com vocês nesta”. Grande parte dos artistas indicados não faz parte do meu gosto pessoal, mas eu seria leviano se não aceitasse e dissesse não à vanguarda e à ousadia.

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One Response to “As apostas da MTV Brasil”

  1. Samuel says:

    Concordo contigo Rodrigo. Pra mim a MTV Brasil representa uma referencia de ousadia e vanguarda nos dias de hoje. Acho louvável a decisão de rejeitar as diretrizes da matriz americana, apostar em conteúdo original e de qualidade. Vejo muitos comentários negativos em relação a programação, e os acho infundados. Se por acaso fossem apresentados programas como “jersey shore” e “teen mom” elas teriam cabimento. Reclamam da predominância do pop e do “rock colorido”, mas esquecem que a MTV é espelho do panorama musical contemporâneo, seja a época que for. Eu mesmo tenho minhas criticas, minhas reclamações de injustiças feitas sobre artistas, ótimos, ao meu ver, mas que não tem recebido o espaço que EU gostaria. Mas só se reclama daqui que se tem afeto, e eu adoro a MTV. Espero que todos esses boatos sejam infundados e que a MTV Brasil continue sendo ainda esse arauto de liberdade e perseverança.

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