Só hoje fui assistir ao documentário vencedor do Oscar, “Searching for Sugar Man”. E recomendo. Principalmente para quem se interessa por estas histórias de astros que sumiram no tempo.
O filme conta a história de Sixto Rodriguez, ou simplesmente Rodriguez, um cantor/compositor que gravou dois obscuros discos na virada da década de 60 para 70 e caiu no ostracismo com o fracasso. Menos na África do Sul, onde ele virou mito, “maior que Elvis”, como compara em determinado momento um jornalista.
Daí a necessidade de uma investigação para descobrir o que aconteceu com ele. Falar mais do que isso seria estragar a surpresa de quem ainda não assistiu.
Gostaria de comentar muitos aspectos do filme aqui e até mesmo discutir outros que não me pareceram muito claros, mas seria um spoiler de todo tamanho. Prefiro que vocês assistam e depois a gente conversa sobre eles nos comentários. Pode ser?
Mas eu posso indicar os dois discos de Rodriguez, que estão no Rdio, não posso? Não vai mudar em nada.
Dave Grohl comprou uma mesa de som para seu estúdio 606. Mas não era uma mesa qualquer. Era uma Neve, que havia pertencido ao lendário estúdio californiano Sound City e que havia gravado, entre outros, clássicos como “Fleetwood Mac”, de 1975, “Damn The Torpedoes”, de Tom Petty & the Heartbreakers e o próprio “Nevermind”, do Nirvana. Isso tirando o fato que só haviam sido fabricadas mais três mesas iguais no mundo.
Porque não contar a história da mesa? Mas como contar a história dela sem passar pelo Sound City? Nascia assim o documentário “Sound City” que conta a história da mesa, do estúdio e dos discos que ali foram feitos. Mas isso é só o começo. Porque “Sound City” é, na verdade, uma grande declaração de amor dos músicos para uma era onde o digital e a música na nuvem eram apenas especulação. O que reinava era o analógico, o som bem tirado dos instrumentos, a captação perfeita e gravação em fita.
Para um fã de Fleetwood Mac como eu, é particularmente interessante ver Mick Fleetwood falando do primeiro contato que teve com Stevie Nicks e Lindsey Buckingham – exatamente no Sound City, onde a dupla tinha gravado o subestimado “Buckingham Nicks” e onde Fleetwood estava à procura de um estúdio para o próximo álbum. As declarações de amor não param por aí. Dos funcionários do Sound City a artistas como Rick Springfield, Metallica, Tom Petty e Rage Against The Machine (cujo primeiro disco foi gravado no Sound City, ao vivo, e com platéia), todos exaltam a acústica perfeita da sala, o ambiente e principalmente a mesa Neve.
Numa era onde a música é feita em notebooks e com o custo perto de zero, chega a ser surreal ouvir falar de discos que custaram 100 mil dolares e demoraram meses para serem gravados. Mas antes que você imagine que “Sound City” é um doc para iniciados, eu vou logo dizendo que não. Porque o sentimento que está por trás dele, é universal e pode ser entendido por qualquer um de nós: a paixão pela música em seu estado bruto.
Você sabe que quem ganhou, quem perdeu….isso nem importa, né?
O que importa está aqui, devidamente roubado do Scream & Yell.
Com vocês, uma seleção de gifs animados do evento.











Sou partidário da máxima que diz que alguns filmes devem ser vistos sem que se saiba muito sobre eles. Com raríssimas exceções, tenho cada vez mais ido ao cinema assim. Sem ler muito sobre a produção, sem criar expectativa. Afinal, a expectativa, em geral, estraga o resultado final.
Sobre este “As Aventuras de Pi” (um parênteses importante: porque diabos não conservaram o título original “A Vida de Pi” – “Life of Pi”???? Faz muito mais sentido!) eu não sabia muita coisa, a não ser o fato de ser dirigido pelo Ang Lee, de ser baseado em um best seller que foi motivo de polêmica e acusação de plágio pelo nosso saudoso Moacyr Scliar, e de ter uma trama que envolvia homens e animais.
O que eu não imaginava era que “Life of Pi” é um tratado sobre a fé humana, em Deus, em qualquer crença, e na própria sobrevivência. Não vou contar muito para não estragar a sua surpresa, mas confesso que algumas palavras do personagem principal são tão fortes que até mesmo os ateus podem começar a questionar sua crença na não existência de um Deus. E não se trata de um filme religioso maniqueísta. Pode ser assistido por pessoas de qualquer religião, pois ele não trata disto. Fé é bem diferente de religião.
E como se isso não bastasse, algumas sequências deslumbrantes garantem o caráter “de tirar o fôlego” da obra. Talvez o melhor filme de Ang Lee, deve ganhar trocentos prêmios, tipo Oscar e Golden Globes. E isso não é pouco. Assistam já!
Talvez não existam muitos casos parecidos na história do cinema. Que pena. A trajetória de Ben Affleck é ímpar e merece muitos olhos observando.
O cara estréia no mundo cinematográfico com um roteiro premiado com o Oscar, em parceria com seu amigo Matt Damon (“Good Will Hunting”). Tudo bem, ele também fez um pequeno papel no filme, mas a gente se lembra apenas daquele Oscar que ele ganhou. Então, entusiasmado pela vida em Hollywood, tenta a vida de ator e mostra ser um dos piores de sua geração, se não o pior. Nunca vou me esquecer de quando fui assistir a “Pearl Harbor” no cinema e, enquanto o público delirava com as cenas de ação, eu só conseguia rir da ruindade de Affleck.
E aí, depois de um monte de filmes igualmente ruins e comédias românticas bobas (ok, estou generalizando, mas é assim que nos lembramos desta fase de sua carreira, não é?), o cara resolve tentar dirigir. O resultado é o bom “Gone Baby Gone” (“Medo da Verdade”, no Brasil), baseado em um romance de Dennis Lehane. “Promissor” foi o que ouvimos na época. E era mesmo.
Alguns anos depois, veio a segunda experiência. O ótimo thriller “The Town” (“Atração Perigosa”) já deu a dica de que Affleck era algo mais do que promissor. Sabia conduzir bem a trama (Complicada, diga-se por sinal, mas que em momento algum se perdia), dirigir os atores, era criativo na colocação de câmeras e tudo mais.
Claro, a expectativa aumentou por seu terceiro trabalho. E Ben Affleck não desapontou. “Argo” é seu melhor filme e a capacidade de Affleck de conduzir uma película é agora uma realidade. A trama de “Argo” é baseada em uma história real, que se não estivesse registrada nos livros, seria uma ficção de primeiríssima qualidade. No Irã do final da década de 70, um grupo de funcionários da Embaixada Americana em Teerã foge durante a invasão que exigia a volta ao país de Reza Pahlevi e se refugia na casa do embaixador canadense. Depois de muitas alternativas ponderadas, a CIA opta pela mais surreal missão para retirá-los de lá: eles passariam por uma equipe de cinema, em busca de locações para um filme de ficção científica chamado “Argo”. Para tal, a CIA financia o início da produção em Hollywood, com o auxilio de um produtor e um maquiador. Ben Affleck interpreta o agente responsável pela idéia e que vai a Teerã para retirar de lá os seis “refugiados” e nem mesmo sua ruindade como ator consegue atrapalhar.
Affleck consegue não só imprimir emoção em cenas aparentemente triviais, como ainda coloca uma dose certa de humor, ao partir para a Hollywood da década de 70 e mostrar como a engrenagem funcionava. Crítico, ágil, movimentado e emocionante, “Argo” merece a repercussão e coloca Affleck definitivamente no topo de uma lista que, até então, só deve ter ele mesmo: roteirista premiado na estréia, ator canastrão, diretor de mão cheia.