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Neil Young e o tempo para ouvir música

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Mais uma colaboração minha no site da Natália, desta vez falando sobre dois de meus assuntos prediletos: Neil Young e o tempo para ouvir música.

Quando foi a última vez em que você parou para ouvir música? Não estou falando do seu dia-a-dia, em que você ouve qualquer coisa que sai do seu Ipod enquanto está no ónibus, andando pelas ruas, no trabalho, na escola ou na academia. Estou me referindo ao hábito de ouvir música apenas, sem desvios e sem estar realizando qualquer outra tarefa.

Eu confesso: há um bom tempo não faço isso. Não que eu não queira. Até me esforço bastante, mas a vida multitarefas que eu e você levamos não permite que dediquemos algumas horas apenas à música. Sabe como, né? Deitar em um quarto sozinho, acompanhado apenas do som e se deleitar com acordes, melodias, letras e climas.

Felizmente (ou infelizmente, para quem não tem tempo), alguns artistas ainda se preocupam com isto. Neil Young (lá vou eu falar do velho Neil novamente) acaba de colocar no mercado um disco chamado “Psychedelic Pill”. É um disco que não faz o menor sentido se não for ouvido com a devida atenção e tempo de maturação. Pra começo de conversa, a música que abre o petardo tem 27 minutos. Não adianta porque você não vai conseguir ouvi-la por inteiro no trajeto da sua casa até a sua escola, se preocupando com a aproximação do ponto em que você precisa descer. É necessário deitar, colocar os fones ou ligar as caixas num volume ensurdecedor e deixar as guitarras de Neil e da banda que o acompanha – a espectacular Crazy Horse – praticamente destruírem os seus tímpanos.

Cada um de nós tem uma experiência diferente ao ouvir determinada música. O que o velho Neil nos propõe com este trabalho e direcionar esta experiência, para que ela se aproxime da original. Portanto, que tal se permitir? Reserve duas horas de sua vida no próximo fim de semana e as dedique ao velho Neil. Depois a gente conversa.

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Psychedelic Pill

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De cara, o nome do disco já chama a atenção: pílula psicodélica. Não dá pra ignorar um disco de Neil Young & Crazy Horse com este nome. Aliás, não dá pra ignorar um disco de Neil Young & Crazy Horse. A junção de um dos grandes nomes da música em todos os tempos com uma das melhores backing bands da história – e a banda que mais conseguiu traduzir o espírito Young em acordes, ao longo dos anos – é sempre motivo para soltar aquele “Para Tudo!” e ouvir.

“Psychedelic Pill”, o disco, não é para todos os públicos. O primeiro fator está na própria estrutura das canções. Só pra começar, “Driftin’ Back”, a música que abre o disco duplo tem 27 minutos de duração e definitivamente não é para pessoas que querem consumir música de uma forma rápida. Talvez seja este o principal recado que Neil Young e a Crazy Horse estejam nos querendo passar. Ao apelarem para longas jams, o quarteto nos diz que precisamos parar para ouvir música. A nova ordem musical, de que música precisa ser rápida, para ser consumida em todas as partes, não agrada a Young e seus asseclas de luxo.

Alternando jams elétricas com tenros momentos acústicos, “Psychedelic Pill” é um óasis num deserto de discos que não se preocupam com o tempo de maturação. Não faz sentido ouvir este trabalho em um mp3 player, dentro de um ônibus, ou no trabalho, enquanto se faz 7 outras tarefas. Trata-se de uma obra à moda antiga, para ser colocado em um som (valvulado?) e degustado com tempo.

De uma forma ou de outra, trata-se de um clássico moderno.

Algumas canções já estão por aí no youtube. Enjoy.

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Global Festival

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No último sábado, ainda em New York, fui ao tal Global Festival, no Central Park. Um evento beneficente, voltado para várias causas relacionadas à máxima “fazer um mundo melhor”. O fim da fome no mundo e a erradicação da pólio estavam entre elas. O evento, uma espécie de “Criança Esperança do Primeiro Mundo”, contou simplesmente com shows de K’Naan, Band of Horses, Black Keys, Foo Fighters e Neil Young & Crazy Horse. Só isso. É bem provável que você tenha assistido a um trecho, pelo menos, já que ele foi transmitido ao vivo pelo Multishow. Mas vamos a algumas impressões de quem estava lá.

Em primeiro lugar, a organização. O Global Festival não foi um evento organizado com um ano de antecedência, como os festivais que rolam costumeiramente lá pelas bandas do Norte. Apenas foi anunciado alguns meses antes, aproveitando a data em que os principais lideres do mundo estariam en New York para a Assembléia Geral da ONU e as atenções do mundo voltadas para o que acontecia na cidade. Nem por isso a organização foi mequetrefe. Tudo funcionou às mil maravilhas: estrutura de alimentação, entrada, saída, banheiros, segurança. Uma expertise em produção invejável, de deixar até mesmo produtores acostumados a isto com o queixo caído. Claro que houve filas no banheiro. Claro que houve filas nas barracas de alimentação, mas nada fora do normal para um evento com 60 mil pessoas.

E aí, o grande ponto fraco do Global Festival: o som. Não sei ao certo se por algum tipo de limitação do local, mas o fato é que o som esteve o tempo todo muito baixo e, pelo menos nos shows de Black Keys e Foo Fighters, embolado. Para quem gosta de reclamar de som no Brasil, principalmente da acústica de nossas casas de shows, saibam que lá fora eles também cometem este tipo de erro.

Por fim, os shows. Não consegui chegar a tempo de ver K’naan e apenas ouvi o Band of Horses de fora do parque (o que ouvi, me agradou). Consegui chegar apenas na hora em que o Black Keys entrava no palco. E se o som, não ajudou, pelo menos a banda não desapontou. Fazendo um set curto, mas incluindo nele pérolas como “Little Black Submarines”, Dan Auerbach e Pat Carney tocaram como se estivessem dando um recado ao público: “Somos quase uma banda de arena, gente! Falta muito pouco!” Periga roubarem o show no Lollapalooza 2013, no Brasil.

Na sequência, Foo Fighters. Dave Grohl e sua turma estavam fazendo o último show da longa turnê de divulgação do ótimo “Wasting Light” e, dado o adiantado da hora, foram obrigados a encurtar o set, e por isso perderam na comparação com os demais, principalmente com o show que fizeram no Lolla Brasil deste ano. Mas um show do Foo Fighters, ainda assim, é garantia de bons momentos. Foram de “Times Like These” a “Everlong”, passando por “My Hero”, “Arlandria” (gosto cada vez mais desta aí), “Best Of You” e “Walk”. Não dá pra dizer que foi um show ruim, mas ficou um gosto de que poderia ter sido melhor.

No meio do show, Dave Grohl disse que poderia ficar tocando ali por horas, mas que preferia ver Neil Young tocar. Eu também, Dave. Até porque não é todo dia que se tem o privilégio de ver ao vivo uma das lendas do rock, acompanhado de uma das mais sensacionais bandas de apoio da história. E se você leu o texto que eu fiz sobre o show de Jack White aí embaixo, classificando-o como “torto”, saiba que foi Neil Young quem inventou o conceito. Nada num show de Neil Young & Crazy Horse é convencional e dentro de algum padrão, a começar pela longa duração das canções, até os longos improvisos em que eles parecem sair de qualquer plano terrestre. Difícil destacar alguma canção num show que teve “Love and Only Love”, “Powderfinger” e “The Needle and the Damage Done”, mas a épica “Walk Like a Giant” e seus quase 17 minutos acabou sendo o ponto alto da apresentação, como uma forma de mostrar ao público o que vai ser seu próximo disco, “Psychdelic Pill”. O encerramento não poderia ser de outra forma: “Rockin In The Free World” com Dan Auerbach e Dave Grohl reforçando o time de guitarristas. A brincadeira, ao final do show, era tentar lembrar quem havia tocado antes de Neil Young, tamanho foi o impacto da apresentação. Avassalador talvez seja o adjetivo mais singelo para descrever.

e um videozinho que eu fiz de “Lonely Boy”, do Black Keys:

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Neil Young & Crazy Horse – bootleg

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Utilidade pública: neste link tem um bootleg de Neil Young & Crazy Horse gravado semana passada no show que eles fizeram em Red Rocks. Em duas partes, conta com vários clássicos e músicas novas. O destaque vai para a nova “Walk Like a Giant” e seus 24 minutos de duração.

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Dia Mundial do Rock – Parte 2

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Frank “Poncho” Sampedro, Billy Talbot e Ralph Molina são, há trocentos anos, a Crazy Horse. Banda que acompanha Neil Young de tempos em tempos e uma das maiores bandas de apoio da história. Ok, você pode escolher a The Band ou, sei lá, a E-Street Band. Mas eu acho que estas duas são bem mais faladas e reconhecidas do que a Crazy Horse. Por isso, na semana do rock, é hora de homenagear este trio que tem muitos serviços prestados ao rock com um de seus grandes momentos, hoje e sempreL tocando “Cortez the Killer”.

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