Fotos: Marcos Hermes
Dizem por aí que a alta expectativa acaba diminuindo um pouco a impressão final que fica de um show, um filme ou qualquer outra manifestação artística. Felizmente existem exceções a esta regra e uma delas atende pelo nome de Paul McCartney. Foram quase quatro anos desde o início da campanha “Paul Vem Falar Uai”, orquestrada por um grupo de pessoas nas redes sociais, clamando pela vinda do ex-Beatle a Belo Horizonte e, quando o sonho se tornou realidade, Paul não deixou por menos e fez um espetáculo grandioso, considerado até mesmo por quem já esteve em algum dos outros shows que ele fez no Brasil nos últimos anos, como o melhor de todos.
Pontualmente às 21h30 do sábado, dia 4 de maio, Paul McCartney subiu ao palco do Estádio do Mineirão acompanhado dos mesmos músicos que o acompanham deste 2001 e de cara já mostrou que a noite seria diferente, entregando uma versão animada de “Eight Days a Week”, música dos Beatles que ele jamais havia tocado em um show. Na sequência, “Junior’s Farm”, do repertório dos Wings, deu o tom da noite, que se alternaria entre músicas de suas duas bandas com algum espaço para canções de sua carreira solo.
Animado, Paul McCartney conversou bastante com o público, elogiando-o a todo momento e agradecendo as manifestações de carinho que se deram através de cartazes, balões, flores e tudo mais que fosse possível carregar para um show deste porte. Mas o estádio veio abaixo mesmo quando ele finalmente mostrou que o sonho dos mineiros havia se tornado realidade e disse, em bom português, que “Paul Veio Falar Uai”, emendando como um “Trem bão, sô”. A partir daí, se alguém ainda tinha dúvidas do placar, elas foram dissipadas: o jogo estava ganho.
Em 2h40 de show, Paul mostrou algumas favoritas de seu repertório e apresentou novidades. Das favoritas, os destaques vão para “All My Loving”, “The Long and Winding Road”, Eleanor Rigby”, “Back in the USSR”, “Lady Madonna” e a sequência “Blackbird”/”Here Today” que apresenta uma novidade desta turnê “Out There”: uma plataforma que eleva Paul e seu violão do palco, deixando-o mais visível para quem está na frente e, segundo comentários dos fãs que estavam por lá, colocando-o perto de onde ele merece estar: o céu.
Fora a plataforma, as demais novidades desta turnê estão mesmo no repertório, principalmente nas duas canções que ele introduziu como “estréias mundiais”: “Being for the Benefit of Mr Kite” e “Lovely Rita”, coincidentemente ou não, do seminal álbum “Sgt Pepper’s Lonely Hearts’ Club Band”. Além delas, canções que não costumam estar nos repertórios, como “Maybe I’m Amazed”, “Hope of Deliverance” e All Together Now” foram incluídas, dando o tom desta nova turnê. Mas foi mesmo o trio arrasa-quarteirão “Let It Be”/ “Live and Let Die”/ “Hey Jude” que deixou os quase 60 mil presentes ao espetáculo com lágrimas nos olhos. Nesta última, uma manifestação de carinho diferente por parte dos mineiros: milhares de cartazes com os dizeres “Thank You” foram levantados, para que enfim o público pudesse agradecer ao ídolo o sonho realizado. Paul retribuiu dizendo vários “Thank You”, como se estivesse devolvendo a reverência a cada um dos 60 mil presentes.
A única nota triste foi o som do espetáculo, que deixou a desejar em sua primeira metade e falhou primariamente em “Band on the Run”. Mas um show que termina com o medley de “Abbey Road” (“Golden Slumbers”/ “Carry That Weight”/ “The End”) é capaz de fazer que todos nós nos esqueçamos de qualquer coisa negativa. Pouco depois da meia-noite, Paul se despediu dos mineiros, dizendo um “até a próxima”. E os mineiros já esperam ansiosamente por ela.
SETLIST
Eight Days a Week
Junior’s Farm
All My Loving
Listen to What The Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
1985
The Long and Winding Road
Maybe I’m Amazed
Hope of Deliverance
We Can Work It Out
Anoother Day
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Your Mother Should Know
Lady Madonna
All Together Now
Mrs. Vanderbilt
Eleanor Rigby
Being for the Benefit of Mr. Kite
Something
Ob-la-Di Ob-La-da
Band on The Run
Hi Hi Hi
Back In The USSR
Let It Be
Live and Let Die
Hey Jude
PRIMEIRO BIS:
Day Tripper
Lovely Rita
Get Back
SEGUNDO BIS:
Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers / Carry That Weight / The End
Só hoje caiu a ficha que ele, Paul McCartney, o mais importante artista da música pop em todos os tempos (alguém contesta?) se apresenta em Belo Horizonte no próximo sábado. Quem não está na cidade não deve imaginar o frenesi que está rolando por aqui. Só se fala nisso e até mesmo quem não imaginou ir está louco atrás de ingressos, que não existem. Só mesmo nas mãos dos cambistas.
Mas sobre estrutura, ingresso, trânsito, prometo falar depois. Por enquanto, vamos ao que interessa: a música. Ninguém sabe qual será o setlist, até porque é o primeiro show dele no ano. Mas já dá pra imaginar algumas, certo? “Jet”, “Band On The Run”, “Live and Let Die”, “Let It Be”, “Hey Jude”. Canções que nunca ficam fora do repertório do velho Macca. Mas e as surpresas?
Uma delas pode ser esta aí embaixo. Rumores dão conta que Macca “trocou ” a homenagem a George Harrison. Sai “Something” e entra esta aqui…..
Nos próximos dias continuarei a colocar algumas pérolas que podem fazer parte do repertório. Só sei que vai ser histórico. Para Belo Horizonte, com certeza o maior e mais importante show que a cidade já presenciou. E vai ser difícil de ser batido.
Que título…..
Mais um texto pro ND.
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Uns vão, outros melhores vêmUm dia bastante sui generis esta quarta-feira, 6 de março de 2013. Acordamos com a notícia da morte de Chorão, o vocalista do Charlie Brown Jr e, enquanto eu me preocupava em bloquear toda e qualquer pessoa que passou a chamá-lo de “gênio”, “poeta” e coisas do tipo, outra notícia mais triste chegou, via amigos que realmente se interessam por música: Alvin Lee, o lendário guitarrista do Ten Years After também nos deixou, vítima de complicações pós-cirúrgicas. Você ainda está aí tentando arrumar uma maneira de comparar as duas perdas? Eu não, e nem vou te indicar algo do Charlie Brown Jr para ouvir. Vá direto para este link, com um dos grandes momentos de Alvin Lee:
E então eis que surge, no meio da tarde, a notícia que todos queríamos ouvir desde sempre: Paul McCartney vai finalmente se apresentar em Belo Horizonte, no dia 3 de maio, no Estádio do Mineirão. Quer saber? Esqueça desde já o Chorão e guarde o Alvin Lee no bolso para ouvir depois, porque o papo agora é sério.
Você nunca viu Paul McCartney ao vivo? Está pensando ainda se deve ir? Pois se você ainda está na dúvida, pare de ler por aqui mesmo. Não admito uma pessoa que goste de música (e eu acho que, se você me lê, é porque você gosta pelo menos um pouquinho de música) e não cogite a possibilidade de ir a este show. Quer saber o que mais? Trate de vender o que for para ir. Só não vou mandar você roubar porque é feio e é crime.
Senhoras e senhores, o que vamos presenciar no dia 3 de maio na capital mineira é um show de, simplesmente, o maior artista da música pop em todos os tempos. Você pode discutir se John Lennon era melhor (e os Lennonistas vão ficar furiosos quando eu disser isto), mas pra mim não tem comparação: Paul é o cara. Tudo que você viu em cima dos palcos até hoje na capital mineira é menor, quando comparado a Paul McCartney. Por quê?
Porque ele foi um Beatle, porque ele tem uma das carreiras solo mais incríveis da história da humanidade, porque ele compôs “Yesterday”, porque ele compôs “Hey Jude”, porque ele compôs “My Love”, porque ele compôs “Live and Let Die”, porque ele compôs “The Long and Winding Road”, porque ele ainda está na ativa fazendo discos incríveis (já ouviu o disco de 2006 dele, “Chaos & Creation In The Backyard”?) e porque ele não tem medo de arriscar, como na recente parceria com os ex-Nirvana, na faixa “Cut Me Some Slack”.
Tudo isso e muito mais é Paul McCartney. Se você for assistir a apenas um show daqui em diante, na sua vida, este tem que ser o seu escolhido. Já tive a oportunidade de ver o cara ao vivo e não tenham dúvidas: estarei no dia 3 lá na frente chorando igual criancinha com fome ao ouvir todos estes clássicos. Bora?
Vocês aí que reclamam que tudo acaba cedo, que existe um horário pra tudo, pensem bem na próxima vez em que reclamarem: Bruce Springsteen e Paul McCartney tiveram os microfones cortados em Londres porque ultrapassaram do horário e poderiam incomodar os vizinhos. Eu só tenho um comentário pra isso: se fosse vizinho, teria ficado incomodado por este gesto.
Mas antes disso…
E esse clipe novo, mega simpático e delicado do Paul McCartney, dirigido pelo próprio?