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New York City – parte 1

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Eu instituí, no ano passado, uma temporada anual em New York. Uma semana basta para me manter atualizado culturalmente e consumísticamente. E que semana está sendo esta. Vamos a um resumo do que vi até agora.

1. BLACK CROWES NO TERMINAL 5, SEXTA-FEIRA, DIA 05 DE ABRIL.

Eu confesso que fiquei um pouco triste quando percebi que os shows do The Cure no Brasil seriam exatamente durante minha temporada nos Estados Unidos.
Mas aí eu me lembrei que meu primeiro dia nos Estados Unidos terminaria com um show dos Black Crowes. E olha….não dá pra dizer nada mais do que isso porque ainda estou em choque com o tapa na cara que tomei.
Repertório fodão (rolou até cover de “Oh Sweet Nuthin”, do Velvet), banda idem, técnica impecável, timbres mais do que apurados, um cantor que parece de outro mundo e dois guitarristas que te fazem o tempo todo questionar se você realmente quer fazer parte de uma banda. Porque nesse nível é difícil chegar…

Um trecho de “Jealous Again” pra dar o gostinho:

2. LEONARD COHEN NO RADIO CITY MUSIC HALL, DOMINGO, DIA 07/04

Já descontado o intervalo de 20 minutos, foram nada mais nada menos que 3 horas de Leonard Cohen ontem no Radio City Music Hall. Como se não bastasse a juventude do velho Cohen, do alto dos seus 79 anos, ele ainda tem uma banda incrível, um trio de backing vocals que são um show à parte, e um repertório de chorar. Aliás, ele me fez chorar em vários momentos. No poema que declama (“A Thousand Kisses Deep”), em “Bird on a Wire”, em “I’m Your Man” e em todos os momentos em que ele sorria para a platéia. Música em estado bruto, feita por um homem que não esconde o prazer que tem de estar ali.

E como se isso tudo não bastasse……amigos, QUE VOZ!

Não tirei nenhuma foto porque não quis. Melhor ficar com a lembrança…

3. FLEETWOOD MAC NO MADISON SQUARE GARDEN, DIA 08/04

Eu já tinha visto o Fleetwood Mac em 2009, mas este show de ontem no Madison Square Garden foi ainda melhor. Teve musica nova (bem boa), uma raridade (Sisters of the Moon), uma canção de 1974 perdida no tempo e nunca gravada por eles (e que foi a responsável por Nicks e Buckingham entrarem na banda, segundo eles mesmos) e um dueto de encerramento, com os dois apenas acompanhados de um violão, de chorar de lindo. No mais, uma versão arrasa-quarteirão de “i’m So Afraid” (minha predileta) e os hits de sempre. A banda está muito em forma e os shows no Bonnaroo e New Orleans Jazz Fest vão fazer muito bem pra eles.

Vejam “The Chain” e comprovem:

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Portishead @ Barcelona

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O cenário era o Poble Espanyol, um complexo cultural situado no Parque de Montjuic, em Barcelona, bem perto dos espetaculares Museu de Arte da Catalunha e Estádio Olimpico. Assim como seus vizinhos, o Poble Espanyol confronta o moderno e o arcaico de uma maneira que só Barcelona sabe fazer. Acontece que o maior confronto da noite do ultimo dia 22 de junho se daria exatamente às 10 da noite quando a potência do som que ecoou do PA do show do Portishead tomou conta do local.

Combinar potência de som e Portishead na mesma frase parece algo complicado de entender. Mas o som do Portishead é exactamente isso: potente, mas não somente em volume. As nuanças e texturas do som da banda acabam ficando em primeiro plano, deixando a potência propriamente dita em segundo, exatamente porque não é necessário. Para se ver e ouvir um show do Portishead, é fundamental um bom som. E nesta noite, em especial, o som estava mais do que 100%. Era possível ouvir tudo bastante definido, de qualquer lugar da praça central do Poble Espanyol (que diga-se de passagem, estava lotado com aproximadamente 5 mil pessoas) e se deixar entrar no som da banda.

Porque não há outra maneira de se entender o Portishead senão se deixar levar. Canções como “Silence” e “Sour Times” são verdadeiramente hipnóticas e causam um efeito devastador nas almas mais puras, como a minha. Sim, foi bem fácil me deixar levar pela voz de Beth Gibbons, que do alto dos seus 47 anos de idade, dá uma verdadeira aula de emoção em seu canto, principalmente no ponto alto do show, a arrebatadora e singela “Wandering Star”. Beth Gibbons canta a emoção como poucas pessoas no mundo.

Não foi longo, nem curto. Não foi uma mega produção, mas também não foi um show simples (os vídeos, projeções e demais aparições no gigantesco telão ao fundo são um espectáculo à parte). O Portishead é uma banda que não se preocupa em empurrar nada goela abaixo de quem os ouve. Quer continuar fazendo sua música no seu ritmo todo particular. Seja lançando um disco a cada dez anos, seja fazendo poucos e valiosos shows para públicos especiais. Se você é um destes felizes convidados para a ceia de Beth Gibbons, sinta-se um privilegiado. São poucos os artistas que conquistam um respeito e se tornam objeto de desejo ao mesmo tempo. Feche os olhos e embarque também nesta viagem.

SETLIST

Silence
Nylon Smile
Mysterons
The Rip
Sour Times
Magic Doors
Wandering Star
Machine Gun
Over
Glory Box
Chase the Tear
Cowboys
Threads

Encore:

Roads
We Carry On

E o video de “Wandering Star”:

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Bruce Springsteen @ Madrid: o maior da história?

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Com aproximadamente uma hora e meia de show, minhas pernas começaram a dar sinal de que queriam descanso. Alonguei as costas, a batata da perna e massageei os pés. Afinal, haviam se passado umas sete horas desde o início do processo “Springsteen @ Santiago Bernabeu”, incluindo aí uma meia hora de metrô, uma hora em um bar comendo e bebendo, mais uma hora na fila para entrar, e duas horas e meia de espera para o início do show. Foi quando olhei para o palco e vi um homem de 60 anos pulando, suando, cantando a plenos pulmões, sem demonstrar qualquer sinal de cansaço. Pensei: “ele ainda vai pular por mais uma hora e meia. Não tenho o menor direito de demonstrar cansaço agora.”. O que eu não sabia é que ele pularia por mais duas horas e meia.

Meu amigo Fernando Furtado é um especialista em Springsteen e já assistiu a uns 20 shows do cara. Portanto, vou confiar na info dele de que este show em Madrid pode ter sido o maior da carreira de The Boss. “Ou então é o segundo maior, só perdendo para um show que ele fez no reveillon, na década de 80″, informação também confirmada pelo Globo. Sim, porque se meu cronômetro não me trai, foram 3h48min de show. Na verdade, meu cronômetro me traiu, mas fui corrigido pelo próprio twitter de Springsteen, que confirmou a marca. Histórica? Pode ser. Mas não menos histórica do que a performance propriamente dita.

O primeiro detalhe que salta aos olhos e aos ouvidos é que a E Street Band cresceu e está mais soul. Com a adição de um naipe de metais e um coro de três vozes, o som ficou mais encorpado, menos rock e pendendo mais para o lado da música negra norte-americana. Não custa lembrar que um dos shows que The Boss fez para aquecer as turbinas aconteceu no mítico Apollo Theater, em New York, meca do soul norte-americano.

E aí vem o setlist. Privilegiando o último álbum “Wrecking Ball” e com clássicos pinçados de todas as partes da carreira do Boss, a E Street Band faz uma espécie de imersão na boa música e consegue transformar até mesmo canções menores, como “Youngstown” e “Be True” em grandes acontecimentos. “Wrecking Ball”, o disco, acaba sendo responsável pelo grande momento do show, em “Jack of All Trades”, com as luzes dos celulares iluminando o Estádio, num efeito de tirar o fôlego, como você vai ver no video abaixo.

E o que mais dá pra destacar num show de quase 4 horas? As performances emocionantes de Jake Clemmons, filho do falecido “Big Man” Clarence Clemmons, fazendo os solos do pai? A participação divertida de Southside Johnny, em “Talk To Me”, colocando sorrisos nos rostos de todos? O medley “Apollo”, com canções em homenagem à soul music? A emocionante “The River”, que arrancou lágrimas dos meus olhos (quantas vezes ouvi esta canção, ao longo dos últimos 20 anos….)? A performance propriamente dita de Bruce, que não deixa a peteca cair em nenhum momento, correndo para os quatro cantos do palco, comandando a banda, mostrando porque o apelido de Chefão cai muito bem nele? A sequência final, com “Born In The USA”, “Born To Run”, “Hungry Heart”, “Dancing In The Dark” e “Tenth Avenue Freeze Out”?

Tudo isso e muito mais. Um show de Springsteen pode tranquilamente ser chamado de o maior espetáculo da Terra. Sem efeitos especiais, sem pirotecnica, sem palcos mirabolantes. Só ele e os quinze músicos da E-Street Band ali no palco, celebrando a música. E com o auxílio precioso do quente público da quente Madrid, o espetáculo chega perto do sublime. E ultrapassa qualquer fronteira anteriormente estipulada.

Olha o setlist completo:

Badlands
No Surrender
We Take Care Of Our Own
Wrecking Ball
Death to My Hometown
My City of Ruins
Spirit in the Night
Be True
Jack of All Trades
Youngstown
Murder Incorporated
She’s the One
Talk to Me
(with Southside Johnny)
Spanish Eyes
(World Premiere)
Working on the Highway
Shackled and Drawn
Waitin’ on a Sunny Day
Apollo Medley
The River
(Dedicated to Nacho)
Because the Night
My Love Will Not Let You Down
The Rising
We Are Alive
Thunder Road

Encore:
Rocky Ground
Born in the U.S.A.
Born to Run
Hungry Heart
Seven Nights to Rock
(Moon Mullican cover)
Dancing in the Dark
Tenth Avenue Freeze-Out

Encore 2:
Twist and Shout
(The Isley Brothers cover) (with Southside Johnny)

Olha um trechinho da “Jack off All Trades”:

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Portugal

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Porto, Braga, Guimarães, Peso da Régua, Coimbra, Fátima, Cascais e Lisboa. Em pouco mais de uma semana, passei por todas estas cidades de Portugal e mais algumas outras menores pelo caminho.

Confesso que Portugal e seu interior nunca me fascinaram. Nunca estiveram na lista de lugares que eu deveria visitar antes de morrer, mas quando a idéia me foi proposta por uma amiga, acabei topando exatamente por ser um lugar fora do meu espectro.

O que tiro de minha viagem por Portugal é que, à parte a aula de história, é um país aconchegante, que aprendeu a conviver com o antigo e o novo, sem perder nenhuma das características de um e de outro. Talvez o maior exemplo disso esteja na Casa da Música, no Porto. Uma construção maravilhosa, moderníssima, em meio a todas aquelas igrejas e prédios históricos da cidade.

Confesso que me emocionei em Fátima. Nunca fui uma pessoa religiosa e Fátima era um local que pensei que nunca fosse visitar. Mas fui e talvez tenha sido o ponto alto de nossa road trip. Ver a fé das pessoas, andando de joelhos ao redor do altar erguido no mesmo local onde Nossa Senhora apareceu para os três pastores me emocionou profundamente. Fiquei ali olhando aquela cena, parado por vários minutos, imaginando o que se passa nas cabeças, e principalmente nas almas daquelas pessoas.

E Lisboa….bem, com o auxílio precioso de um amigo nascido e criado na cidade, a passagem por lá foi ainda mais agradável. Fui a lugares que definitivamente não iria se estivesse sozinho. Com destaque para dois grandes restaurantes: o Solar dos Presuntos e sua comida simplesmente divina; e o outro (que me esqueci o nome) na Cidade Alta, em meio às ruazinhas históricas, e com uma comida caseira absurda de boa. Isso sem falar na visita à grande casa da música independente portuguesa (Music Box) e um bom show de uma banda emergente – Corsage – com um show baseado em seu novo disco, “Música Bipolar Portuguesa”.

Agora chegou a vez da parte espanhola da viagem. Já cheguei a Madrid e amanhã tenho um encontro com The Boss no Estádio Santiago Bernabeu. Depois, Barcelona e mais alguns relatos de viagem.

Abaixo, um dos grandes momentos da viagem até agora. O vinho que tomamos no restaurante DOC, às margens do Rio Douro.

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Bora pra Europa?

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Na terça-feira embarco para mais um giro europeu. E descontando a primeira vez em que estive no Velho Continente, em uma daquelas excursões “30 países em 10 dias”, acho que estas serão as minhas férias mais curtas e longas ao mesmo tempo. Curtas porque serão apenas 23 dias. E longas, porque devo passar por umas 7 cidades, aproximadamente. Com margem de erro de duas cidades para mais ou para menos.

Em 2008, quando estive por lá pela última vez, o trabalho se misturou com as férias. Fomos cobrir os festivais de Benicassim, Eurockeennes e Roskilde para o Alto-falante, sem falar nos dez dias em Londres, que geraram um especial bem bacana e ainda a oportunidade de conhecer de perto figuras bacanas, como Allan Jones, editor lendário da revista Uncut, e visitar pelo menos um lugar mais lendário ainda: os estúdios de Abbey Road. O resultado é este especial aqui:

 

 

 

 

Agora, nada de Londres. Melhor passar longe da capital olímpica deste ano. A primeira parada será em Portugal, mais especificamente na cidade do Porto, para este festival:

Um festival menos (25 mil pessoas/dia) e um grande  reencontro com vários amigos (Wilco, Flaming Lips, Spiritualized, Rufus Wainwright), além da oportunidade perfeita para fazer vários outros (Suede, Beach House, War on Drugs, Afghan Whigs, Jeff Mangun). Isso fora a beleza do Porto e o local onde o festival vai acontecer: o Parque da Cidade.

Depois de cinco dias no Porto, parto para mais alguns pelo interior de Portugal até chegar a Lisboa. terei pouco tempo por lá, mas o suficiente para encontrar amigos, conhecer outros….o de sempre.

Na sequência, Madrid. E a crise européia. Vou me encontrar com os 25% de desempregados da Espanha e um norte-americano velho conhecido deste blog, que se apresentará no santuário Santiago Bernabeu, popularmente conhecido como “a casa do Real Madrid”:

 

De Madrid, vou para Barcelona. E em meio a muito vinho, champagne, passeios pela cidade e pela praia, vou ver esta banda aqui:

 

Neste lugar aqui:

E aí, a última parada da viagem: a sempre deliciosa Paris, que com amigos espalhados por toda a cidade, fica bem mais agradável. E encerro minha turnê européia no Gran Rex, vendo estes velhos conhecidos aqui:

 

É ou não é uma volta à Europa em grande estilo? Fique ligado por aqui porque pretendo colocar updates, sempre que possível. Não sou do tipo que corre para casa para escrever, mas o afã do momento pode fazer com que eu mude de idéia.

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